Especialistas alertam que itens comuns da rotina de beleza podem interferir no monitoramento do paciente e aumentar riscos no centro cirúrgico
Quem está prestes a passar por uma cirurgia costuma receber uma lista de recomendações que inclui jejum, suspensão de medicamentos, realização de exames e horários de chegada ao hospital. O que muitos pacientes não sabem é que alguns cuidados aparentemente simples, ligados à estética, também fazem parte do protocolo de segurança adotado pelas equipes médicas.
Cílios postiços, extensões de cílios, unhas artificiais, alongamentos em gel e esmaltes escuros estão entre os itens que podem precisar ser removidos antes do procedimento cirúrgico. Embora pareçam detalhes sem importância, especialistas explicam que eles podem interferir em etapas fundamentais da anestesia e do monitoramento do paciente.
Segundo a médica anestesiologista Anna Lima de Melo, integrante do grupo Servan Anestesiologia, essas orientações costumam ser repassadas durante a consulta pré-anestésica, realizada antes da cirurgia para avaliar as condições clínicas do paciente e identificar fatores que possam comprometer a segurança do procedimento.
“Na consulta pré-anestésica, avaliamos não apenas histórico de saúde, medicamentos em uso e exames, mas também detalhes que podem interferir na segurança durante o procedimento. Cílios postiços, unhas artificiais e esmaltes escuros entram nessa orientação porque podem dificultar cuidados importantes no centro cirúrgico”, afirma.
Proteção dos olhos exige atenção
Durante cirurgias realizadas sob anestesia geral ou sedação profunda, o paciente perde temporariamente reflexos naturais, como o ato de piscar. Por esse motivo, cabe à equipe médica proteger os olhos contra ressecamento, irritações e possíveis lesões na córnea.
É justamente nesse momento que os cílios postiços podem se tornar um problema.
De acordo com a anestesiologista, a presença de extensões ou cílios artificiais pode dificultar a correta fixação de fitas protetoras utilizadas para manter as pálpebras fechadas durante o procedimento. Além disso, há risco de desprendimento de fios ou resíduos de cola.
“Um fio solto, cola ou qualquer material próximo aos olhos pode causar desconforto e aumentar o risco de lesão ocular. Por isso, o ideal é que o paciente vá para a cirurgia sem cílios postiços ou extensões”, explica.
Embora as complicações sejam consideradas raras, a retirada prévia dos acessórios reduz a possibilidade de incidentes e facilita o trabalho da equipe cirúrgica.
Unhas podem atrapalhar monitoramento
As unhas também desempenham um papel importante durante a cirurgia.
Esmaltes escuros, unhas postiças, alongamentos em gel ou acrílico podem interferir na leitura do oxímetro, aparelho utilizado para medir a saturação de oxigênio no sangue durante todo o procedimento.
O equipamento funciona por meio da emissão de luz através do dedo do paciente. Quando existem camadas espessas de esmalte ou materiais artificiais sobre a unha, a leitura pode apresentar distorções ou perda de precisão.
“O oxímetro funciona por meio da passagem de luz pelo dedo. Quando existe esmalte muito escuro, unha artificial ou algum tipo de alongamento, essa leitura pode sofrer interferência. Em uma cirurgia, precisamos de informações precisas o tempo todo”, destaca Anna Lima de Melo.
Além da medição da oxigenação, as unhas naturais ajudam os profissionais de saúde a avaliar a circulação sanguínea e possíveis alterações clínicas durante a operação.
Mudanças na coloração das extremidades, por exemplo, podem servir como sinais importantes para a identificação rápida de complicações.
Orientações variam conforme o procedimento
As recomendações sobre retirada de esmaltes e unhas artificiais podem variar conforme o hospital, o tipo de cirurgia e os protocolos adotados pela equipe médica.
Em algumas instituições, é exigida a remoção completa de esmaltes e alongamentos. Em outras, basta que pelo menos uma unha permaneça livre em cada mão para permitir o monitoramento adequado.
Independentemente da regra adotada, especialistas orientam que o paciente siga rigorosamente as instruções recebidas durante o pré-operatório.
Segurança começa antes da cirurgia
A consulta pré-anestésica tem ganhado importância crescente na preparação para procedimentos cirúrgicos. Além de avaliar doenças pré-existentes, alergias e medicamentos em uso, ela permite esclarecer dúvidas e alinhar medidas preventivas que podem reduzir riscos durante a operação.
Para a anestesiologista, compreender o motivo dessas orientações ajuda o paciente a encarar o preparo cirúrgico de forma mais consciente.
“A consulta pré-anestésica é o momento ideal para alinhar essas orientações. Muitas vezes, o paciente não imagina que cílios postiços ou esmalte escuro possam interferir em uma cirurgia. Mas são cuidados simples, que facilitam o trabalho da equipe e contribuem para a segurança durante a anestesia”, afirma.
Embora pareçam apenas questões estéticas, a retirada de cílios postiços e unhas artificiais integra uma série de medidas destinadas a garantir que o procedimento ocorra da forma mais segura possível. Em ambiente cirúrgico, cada detalhe pode fazer diferença.



















