Levantamento mostra alta de 10,26% nas notificações no primeiro semestre de 2026; celular, Pix e engenharia social concentram a maior parte dos casos
Mais de 9 milhões de tentativas e casos de fraudes financeiras foram registrados no Brasil no primeiro semestre de 2026. O número representa um aumento de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025 e, segundo especialistas, está relacionado ao fortalecimento dos mecanismos de identificação de golpes após mudanças nas regras do Banco Central (BC).
Os dados são de um levantamento da Quod, empresa especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito. Ao todo, foram contabilizados mais de 9 milhões de indícios de fraude entre janeiro e junho deste ano, ante 8,26 milhões registrados nos seis meses anteriores. Pela metodologia da empresa, os indícios incluem tanto tentativas quanto golpes consumados.
Segundo a Quod, a alta não indica necessariamente um aumento da criminalidade, mas um avanço na capacidade de monitoramento das instituições financeiras. A mudança ocorre após a implementação da Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre bancos e outras instituições para facilitar a identificação e a prevenção de fraudes.
“O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema”, afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.
Base reúne informações sobre fraudes
O estudo foi elaborado com dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), plataforma colaborativa criada pela Quod para reunir informações compartilhadas por instituições financeiras e empresas sobre suspeitas e ocorrências de fraudes.
O sistema permite identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e fortalecer os mecanismos de prevenção, além de atender às exigências da Resolução 501 do Banco Central.
Celular e Pix lideram os registros
O levantamento mostra que o ambiente digital segue concentrando a maior parte das fraudes financeiras no país.
O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados, tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das ocorrências.
A principal estratégia empregada pelos golpistas continua sendo a engenharia social, modalidade baseada na manipulação psicológica da vítima para obter informações pessoais ou convencê-la a realizar transferências financeiras. Esse tipo de golpe respondeu por 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.
Jovens concentram quase metade das vítimas
As pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas de fraudes financeiras, segundo a pesquisa. Na sequência aparecem os consumidores de 35 a 49 anos, responsáveis por 29,98% dos casos.
Os homens correspondem a 51% das vítimas, enquanto as mulheres representam 48%. A maioria dos atingidos (58%) recebe até dois salários mínimos.
Outro dado que chama atenção é a reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram fraudes no primeiro semestre, cerca de 799 mil foram vítimas duas ou mais vezes.
Como reduzir o risco de golpes
A Quod recomenda que os consumidores adotem cuidados extras ao realizar operações financeiras, principalmente pelo celular, e desconfiem de mensagens e solicitações urgentes envolvendo dinheiro.
“Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de contas laranja”, orienta Danilo Coelho.
Principais números do levantamento
- Mais de 9 milhões de indícios de fraudes registrados no primeiro semestre de 2026;
- Alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025;
- 78% dos casos ocorreram por meio de celulares;
- 94% envolveram contas correntes;
- 85% utilizaram o Pix para movimentação dos recursos;
- 40% tiveram origem em golpes de engenharia social;
- 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes;
- Cerca de 799 mil vítimas sofreram golpes duas ou mais vezes.
A Quod é uma empresa de inteligência de dados voltada ao mercado de crédito e desenvolve soluções para apoiar instituições financeiras e empresas na concessão de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.
*Informações e Imagem: Agência Brasil





















