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Relatório da FAO mostra que o país manteve a taxa de subnutrição abaixo do limite internacional e reduziu a insegurança alimentar grave para 0,6% da população

O Brasil continua fora do Mapa da Fome e registrou o menor índice de insegurança alimentar grave da série histórica, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026 (SOFI), divulgado nesta terça-feira (28) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

O levantamento mostra que a proporção de pessoas subnutridas no país permaneceu abaixo de 2,5% da população no triênio 2023-2025. Esse é o limite adotado pela FAO para classificar um país como fora do Mapa da Fome.

O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome em 2025, com base nos dados do triênio 2022-2024. A primeira vez em que o país alcançou esse resultado foi em 2013. Antes disso, entre 2020 e 2022, a taxa de subnutrição havia chegado a 3,5% da população.

Durante a apresentação do relatório, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que os resultados demonstram a importância das políticas públicas voltadas ao combate à fome e à redução das desigualdades.

“Esses resultados nos lembram que a fome não é inevitável. Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”, disse.

O fundador do Instituto Fome Zero (IFZ) e ex-diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, também comemorou os resultados.

“O relatório da FAO traz muito boas notícias para o Brasil. Pelo indicador utilizado, de prevalência da subalimentação, nós temos menos de 2,5% da população [passando fome]”, afirmou.

Para Graziano, outros indicadores do relatório indicam que o percentual de brasileiros em situação de subalimentação pode ser ainda menor.

“Quando olhamos os outros dados do relatório, dá para dizer que o Brasil tem menos de 1% de subalimentação hoje. Provavelmente, algo em torno de 0,6%, 0,7%”, calculou.

Insegurança alimentar

O relatório mostra que a insegurança alimentar severa caiu para 0,6% da população brasileira, o equivalente a cerca de 1,2 milhão de pessoas. É o menor índice registrado desde o início da série histórica.

Na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES), esse grupo reúne pessoas que enfrentam falta de alimentos, passam fome e, em situações extremas, ficam um dia inteiro ou mais sem comer.

Apesar do avanço, Graziano alertou que o país ainda precisa enfrentar esse desafio.

“Mais de 1 milhão de pessoas ainda têm uma insegurança alimentar severa no Brasil, segundo os próprios dados do relatório. É muita gente”, afirmou.

Também houve redução da insegurança alimentar moderada ou grave. No triênio 2023-2025, o índice ficou em 9,6% da população, o equivalente a cerca de 20,3 milhões de pessoas. Nos triênios anteriores, os percentuais eram de 22,1% (2020-2022), 18,4% (2021-2023) e 13,3% (2022-2024).

“Segundo o relatório, nós conseguimos também reduzir substancialmente o número de pessoas com insegurança alimentar moderada e grave”, destacou Graziano.

Alimentação saudável

Outro indicador que apresentou melhora foi o acesso à alimentação saudável. Em 2025, 21,1% da população brasileira, cerca de 44,8 milhões de pessoas, não tinham condições de pagar por uma alimentação saudável.

Em 2021, esse percentual era de 31,1%, o equivalente a 65,3 milhões de pessoas. Na comparação, cerca de 20,5 milhões de brasileiros passaram a ter condições de custear uma dieta adequada.

“O Brasil melhora as condições de acesso da população a uma dieta saudável. Isso é muito importante num país que está aumentando de maneira assustadora a obesidade, principalmente entre crianças e adolescentes”, afirmou Graziano.

Segundo o relatório, o custo de uma dieta saudável no Brasil foi estimado em US$ PPC 4,89 por pessoa ao dia em 2025, acima dos US$ PPC 4,69 registrados em 2024, mas abaixo das médias da América do Sul (US$ PPC 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ PPC 4,91).

Fernanda Machiaveli destacou que a instabilidade dos preços dos alimentos continua sendo um dos principais desafios para garantir o acesso da população a uma alimentação adequada.

“A disponibilização de estoques [de alimentos não perecíveis] em períodos de interrupção da oferta ou de inflação excessiva dos alimentos contribui para estabilizar os mercados e manter os alimentos básicos acessíveis, especialmente para a população mais vulnerável.”

Desafios

Apesar dos avanços, o relatório aponta que o Brasil ainda enfrenta problemas relacionados à nutrição.

Entre os principais indicadores estão o baixo peso ao nascer em 8,7% dos bebês, a taxa de aleitamento materno exclusivo de 45,8% entre crianças de até cinco meses, a desnutrição grave em 3,4% das crianças menores de cinco anos, o atraso no crescimento em 8,9% desse público, o excesso de peso em 10,9% das crianças de até cinco anos, a obesidade em 30,1% da população adulta e a anemia em 21,3% das mulheres em idade fértil.

Por outro lado, o Brasil apresentou desempenho acima da média mundial na diversidade alimentar infantil. Em 2024, 63,3% das crianças entre 6 e 23 meses consumiam uma alimentação minimamente diversificada, enquanto a média global foi de 30,8%.

Cenário mundial

O relatório também mostra que a fome no mundo diminuiu pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, cerca de 645 milhões de pessoas enfrentaram a fome, uma redução de quase 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022.

A prevalência global caiu de 8,6% da população em 2022 para 8,1% em 2024 e 7,8% em 2025.

Apesar da melhora global, a recuperação ocorre de forma desigual. Enquanto Ásia, América Latina e Caribe registram avanços graduais, a África concentra atualmente o maior número de pessoas em situação de fome: cerca de 309 milhões, o equivalente a 20% da população do continente.

Com informações e imagem da Agência Brasil

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