Mobilização reuniu mais de 1,3 mil registros no Brasil, Bolívia e Paraguai; Mato Grosso do Sul teve 493 araras-azuis contabilizadas
A segunda edição do Big Day das Araras Azuis registrou 1.313 araras-azuis na natureza durante a mobilização realizada nos dias 1º e 2 de agosto. A iniciativa reuniu participantes de diferentes regiões e contabilizou registros em seis estados brasileiros, além de áreas da Bolívia e do Paraguai.
Do total, foram 1.095 araras-azuis registradas no Brasil, 208 na Bolívia e dez no Paraguai. No país, a contagem alcançou 31 municípios nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Goiás, Bahia e Tocantins.
Mato Grosso do Sul liderou o ranking nacional, com 493 araras-azuis registradas. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 293, e Pará, com 240. Goiás teve 54 registros, enquanto Bahia e Tocantins contabilizaram dez e cinco indivíduos, respectivamente. Os dois últimos estados não haviam registrado araras-azuis na edição anterior.
Para a presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, os dados obtidos durante a mobilização são importantes para acompanhar a distribuição da espécie e orientar estratégias de conservação diante das mudanças ambientais.
“Eles podem nos auxiliar muito, por exemplo, se a gente verificar que onde tinha antigamente a ocorrência de araras azuis não está ocorrendo mais, a gente precisa identificar que fatores levaram aquela diminuição ou extinção local e elaborar alguma estratégia para que ela volte a ocorrer” explica Neiva Guedes.
Municípios de MS aparecem entre os maiores registros
O ranking por municípios também teve presença de cidades de Mato Grosso do Sul. Barão de Melgaço, em Mato Grosso, ficou na primeira posição, com 261 araras-azuis registradas. Canaã dos Carajás, no Pará, aparece em segundo, com 182.
Miranda, em ms, ocupou a terceira colocação, com 165 registros. Corumbá ficou em quarto, com 131, e Rochedo, em quinto, com 55. Aquidauana também participou da contagem e registrou 41 araras-azuis.
Equipe de Campo Grande percorreu o Jalapão
Uma das novidades desta edição foi a confirmação da presença da espécie no Tocantins. Na primeira edição do Big Day das Araras Azuis, realizada em 2025, o Instituto Arara Azul não recebeu registros de araras-azuis no estado.
Diante dessa lacuna, o Instituto Mamede, sediado em Campo Grande, mobilizou uma equipe para percorrer o Jalapão durante a segunda edição da campanha.
Maristela Benites, bióloga e educadora ambiental do Instituto Mamede, e Gabriela Mamede saíram de Campo Grande com destino ao Tocantins. Simone Mamede, também integrante da equipe, partiu de Arraias, no estado.
A expedição confirmou a presença de araras-azuis no Tocantins e contribuiu para ampliar as informações sobre a distribuição da espécie no país.
Para Maristela, os resultados também mostram a necessidade de manter as pesquisas na região.
“Somos entusiastas da observação de aves e da ciência cidadã, então foi muito emocionante encontrar as araras-azuis, principalmente por colaborar no preenchimento de lacunas sobre a distribuição da espécie no Brasil e na América do Sul. Ao mesmo tempo, a emoção veio acompanhada de preocupação. Em 2019 registramos um número maior de indivíduos e, nesta expedição, encontramos apenas cinco araras-azuis.”
Participação vai além da contagem
A mobilização também contou com iniciativas voltadas à educação ambiental e à divulgação científica. No Pará, o influenciador digital Vando Douglas, considerado um embaixador da arara-azul no estado, participou das duas edições e ajudou na contagem das aves.
Além da participação nas atividades de campo, Vando utilizou as redes sociais para divulgar as ações do Instituto Arara Azul e ampliar o alcance das informações sobre pesquisa e conservação da espécie.
No Ceará, onde não há ocorrência de araras-azuis livres na natureza, a participação ocorreu por meio da educação ambiental. O Ecopoint Parque Ecológico e o Zoológico de São Francisco promoveram atividades interativas para apresentar a campanha aos visitantes, explicar a metodologia de contagem e mostrar como a população poderia contribuir.
A proposta foi incentivar o público a atuar como agente de conservação e ciência cidadã, mobilizando familiares e conhecidos que vivem nos estados onde as araras-azuis ocorrem.
As experiências mostram que a participação na conservação pode ocorrer de diferentes formas. Enquanto no Pará o trabalho envolveu observação, contagem e divulgação, no Ceará a iniciativa foi voltada à educação e à sensibilização do público.
Conservação depende da participação coletiva
O Big Day das Araras Azuis também reforçou a importância da participação da sociedade no acompanhamento da espécie. Nos três países, mais de 200 pessoas participaram da mobilização, inclusive aquelas que não encontraram araras-azuis durante as atividades.
A iniciativa conta ainda com uma rede de parceiros do Instituto Arara Azul, que contribui para a realização de ações de pesquisa e conservação.
Os 1.313 registros contabilizados em 2026 são resultado da mobilização de participantes em diferentes regiões, reunidos em torno do objetivo de conhecer, acompanhar e contribuir para a conservação das araras-azuis.
Com informações: Instituto Arara Azul
Imagem: Matheus Jara



















