139 milhões de brasileiros fizeram compras pela internet no último ano; redes sociais e WhatsApp se consolidam como canais de venda
O comércio eletrônico ganhou 20 milhões de novos consumidores no Brasil em um ano. Ao todo, 139 milhões de pessoas compraram pela internet pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, segundo levantamento do SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas.
O avanço amplia o mercado para pequenos negócios, que passaram a disputar a atenção de consumidores não apenas com empresas da própria cidade, mas também com concorrentes de outras regiões do país.
O movimento acompanha uma mudança na forma como o brasileiro pesquisa e compra. Antes de fechar um pedido, o consumidor pode comparar preços, consultar avaliações, conhecer produtos e conversar diretamente com vendedores usando o celular.
Para William Almeida, gestor de mercado digital do Sebrae, a presença na internet deixou de ser uma alternativa para os pequenos negócios e passou a fazer parte da própria jornada de compra.
“Estar no digital deixou de ser uma opção para o pequeno negócio. O consumidor já pesquisa, compara preço, busca avaliações e compra pelo celular. Então, quando uma empresa não está nesse ambiente, ela acaba ficando fora de uma parte importante da jornada de compra”, afirma.
Segundo Almeida, a concorrência também deixou de ser limitada à vizinhança. “Quem não ocupa esses espaços acaba limitando muito o seu mercado. Muitas vezes, o concorrente deixa de ser apenas a loja da mesma rua ou do mesmo bairro. Hoje, o consumidor pode comprar de uma empresa de outro estado com poucos cliques”.
Redes sociais viram vitrines
As redes sociais também ganharam espaço como canais de comércio. De acordo com a pesquisa, 54% dos consumidores fizeram compras por essas plataformas nos últimos 12 meses.
Entre os aplicativos usados para comprar, o TikTok aparece na liderança, citado por 24% dos consumidores. Na sequência estão Instagram, com 17%, e YouTube, com 12%.
O WhatsApp tem participação ainda maior na rotina de compras. 73% dos consumidores afirmaram ter feito pelo menos uma compra pelo aplicativo no último mês.
A plataforma também é o principal canal de comunicação e vendas para pequenos negócios. Segundo a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, oito em cada dez pequenas empresas usam o WhatsApp como principal ferramenta para se relacionar com os clientes e vender.
O Instagram aparece em segundo lugar, utilizado por 57% dos pequenos negócios.
Pequeno negócio não precisa estar em todas as plataformas
Apesar do potencial das vendas digitais, a recomendação para quem está começando é evitar a tentativa de ocupar todas as plataformas simultaneamente.
O primeiro passo, segundo o Sebrae, é identificar o perfil do consumidor e escolher os canais que tenham maior possibilidade de gerar resultado para aquele público.
“Não tente estar em todos os canais de uma vez. O ideal é começar entendendo quem é o seu cliente, escolher um canal que faça sentido para o negócio e aprender a operar bem aquele canal”, orienta Almeida.
A estratégia é especialmente relevante para empreendedores que têm equipes pequenas e precisam dividir o tempo entre produção, atendimento, estoque, entrega e administração.
Mais vendas não significam necessariamente mais lucro
A expansão do comércio eletrônico também traz um alerta. Aumentar o número de pedidos não garante, por si só, que o negócio esteja ganhando dinheiro.
Além do preço do produto, o empreendedor precisa considerar despesas como comissões das plataformas, frete, embalagem, prazo de entrega, atendimento ao consumidor e divulgação.
“Vender online não é simplesmente colocar um produto na internet. Tem comissão, frete, embalagem, prazo, atendimento, divulgação e margem”, explica Almeida.
O risco é o empresário observar o crescimento do faturamento sem calcular corretamente os custos envolvidos em cada venda.
“Às vezes, a empresa vende bastante e, quando olha para o resultado, percebe que não ganhou dinheiro”, afirma.
Por isso, a orientação é começar com uma operação menor, testar os canais disponíveis e acompanhar indicadores como custos, margem e retorno das ações de divulgação antes de ampliar a presença digital.
Sebrae ajudou 728 mil empresas no mercado digital
A expansão das vendas pela internet também aumentou a procura por orientação para pequenos negócios. Somente em 2025, o Sebrae auxiliou cerca de 728 mil empresas em estratégias para ganhar espaço no mercado digital.
A digitalização permite que uma pequena empresa alcance consumidores que dificilmente seriam atendidos apenas por uma loja física. Mas, para transformar esse alcance em resultado, é necessário estruturar a operação.
O crescimento de 20 milhões no número de consumidores online em apenas um ano reforça a dimensão desse mercado. Para o pequeno empreendedor, a oportunidade está menos em simplesmente abrir perfis em várias redes e mais em entender onde o seu público está, como ele decide uma compra e quanto custa atender esse cliente.
A recomendação do Sebrae é começar de forma gradual, medir os resultados e ampliar os canais conforme a empresa consiga sustentar a operação.
Como pequenos negócios podem começar a vender pela internet
1. Conheça o cliente
Identifique quem compra, quais produtos procura e quais plataformas utiliza com mais frequência.
2. Escolha poucos canais
Em vez de tentar estar em todas as redes, comece por aquelas em que o público do negócio está mais presente.
3. Calcule os custos
Considere comissão, frete, embalagem, divulgação, impostos e demais despesas antes de definir o preço.
4. Acompanhe a margem de lucro
Faturamento maior não significa necessariamente lucro maior. É preciso saber quanto sobra em cada venda.
5. Teste antes de ampliar
Começar com uma operação menor permite corrigir problemas de atendimento, logística e divulgação antes de aumentar o volume de pedidos.
6. Use as redes para relacionamento
WhatsApp e Instagram podem funcionar não apenas como vitrines, mas também como canais de atendimento e relacionamento com o consumidor.
O cenário mostra que a internet deixou de ser apenas um espaço complementar para o comércio. Com milhões de novos consumidores entrando no mercado digital, ela se tornou uma das principais portas de entrada para pequenos negócios que buscam ampliar sua clientela e alcançar compradores além dos limites da própria cidade.
Com informações e imagem da Agência Sebrae de Notícias




















