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Especialista explica como trocar deslocamentos de carro por passos ou pedaladas pode ajudar a reduzir o sedentarismo

Deixar o carro na garagem e fazer um trajeto a pé ou de bicicleta pode ser uma mudança simples na rotina, mas também uma oportunidade de colocar o corpo em movimento. No Dia Mundial sem Carro, celebrado em 22 de setembro, a proposta ganha um aspecto além da mobilidade urbana: pequenos deslocamentos podem contribuir para reduzir o tempo sedentário e aumentar a prática de atividade física ao longo do dia.

Um estudo publicado recentemente na revista científica The Lancet aponta que acrescentar apenas cinco minutos diários de atividade física moderada à rotina pode estar associado à redução do risco de morte.

A pesquisa analisou dados de mais de 135 mil adultos, acompanhados por cerca de oito anos em países como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e Suécia. Os participantes utilizaram acelerômetros, dispositivos capazes de registrar os movimentos ao longo do dia, permitindo aos pesquisadores avaliar de forma objetiva o tempo dedicado à atividade física e ao comportamento sedentário.

Entre adultos que já realizavam cerca de 17 minutos diários de atividade moderada, acrescentar outros cinco minutos esteve associado a uma redução estimada de 10% no risco de morte por todas as causas. Mesmo entre os menos ativos, que faziam em média apenas dois minutos diários desse tipo de atividade, o acréscimo esteve associado a uma redução de aproximadamente 6%.

Os resultados reforçam a importância de incorporar movimento à rotina, inclusive por meio de atividades cotidianas. Ir a pé a um comércio próximo, caminhar parte do caminho para o trabalho ou optar pela bicicleta em percursos possíveis são alternativas para acumular minutos de atividade física sem necessariamente transformar o exercício em uma tarefa separada do dia.

Caminhar e pedalar

Para o coordenador do curso de Educação Física da Estácio, Cláudio Henrique Verão, transformar parte dos trajetos cotidianos em deslocamento ativo pode trazer diferentes benefícios ao organismo.

“Além da questão do gasto calórico, temos benefícios para a saúde de forma geral. O sistema respiratório passa a trabalhar de maneira mais eficiente, há melhora da frequência cardíaca e da circulação, além de reflexos positivos na pressão arterial”, explica.

A mudança pode ser especialmente relevante para quem passa muitas horas sentado. Segundo o professor, pequenas caminhadas ao longo do dia ajudam a interromper períodos prolongados de inatividade.

“Caminhadas curtas, independentemente do horário ou do motivo, fazem o corpo quebrar essa inércia, melhoram a circulação sanguínea e contribuem para a prevenção de doenças cardíacas”, afirma.

Além desses efeitos, caminhar e pedalar regularmente podem contribuir para melhorar o condicionamento físico. Com a prática incorporada à rotina, há melhora principalmente da capacidade aeróbica, além do fortalecimento dos membros inferiores e do ganho de resistência.

Para quem é sedentário, a orientação é começar aos poucos. Cláudio recomenda iniciar com trajetos menores e aumentar as distâncias conforme o corpo se adapta. Hidratação, alimentação e calçados adequados também devem ser considerados, especialmente em percursos mais longos.

Outra possibilidade é combinar diferentes meios de transporte. Descer alguns pontos antes no transporte coletivo e completar o trajeto a pé, por exemplo, permite acrescentar movimento à rotina sem que todo o deslocamento precise ser feito caminhando ou pedalando.

E o patinete elétrico?

Cada vez mais presente nas ruas de Campo Grande, o patinete elétrico também aparece como alternativa ao carro em trajetos curtos. Do ponto de vista da mobilidade urbana, o equipamento pode contribuir para reduzir o uso do automóvel. Quando o objetivo é aumentar a atividade física, porém, o efeito é diferente.

Segundo Cláudio, o patinete exige pouco esforço corporal e, por isso, não proporciona os mesmos estímulos da caminhada ou da bicicleta.

“Na busca de um deslocamento ativo, ele se torna inoperante, pois não há movimento com intensidade considerada relevante para o gasto calórico ou para os benefícios cardíacos ou musculoesqueléticos que a caminhada ou a bicicleta proporcionam”, explica.

Isso não significa que o patinete elétrico não possa ser utilizado como meio de transporte. A diferença está no objetivo de cada escolha: enquanto o equipamento pode substituir o carro em determinados percursos, caminhar e pedalar também contribuem diretamente para aumentar a movimentação do corpo.

No Dia Mundial sem Carro, a proposta, portanto, pode ir além de deixar as chaves do automóvel em casa. Quando o trajeto e as condições permitem, substituir alguns deslocamentos motorizados por passos ou pedaladas pode ser uma maneira simples de reduzir o tempo sedentário e inserir mais movimento na rotina.

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