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Em entrevista à Total News, Shandor Torok analisou a crise envolvendo o Supremo, os efeitos do caso Banco Master no cenário eleitoral e os temas que devem receber atenção dos eleitores

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou espaço no debate político às vésperas das eleições de 2026 e passou a dividir a atenção dos eleitores com temas tradicionalmente associados à escolha de candidatos, como saúde, segurança pública e uso de recursos públicos. Para o cientista político Shandor Torok, pesquisador do grupo de pesquisas sobre eleições em Mato Grosso do Sul, na UFMS, e do Observatório da Justiça no Brasil e América Latina, o momento exige que o eleitor consiga separar os diferentes problemas que estão sendo discutidos simultaneamente.

Em entrevista à Total News, o pesquisador analisou os acontecimentos recentes envolvendo o Supremo e o caso Banco Master, o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino, a influência desses episódios sobre a campanha eleitoral e os desafios que, na avaliação dele, deveriam fazer parte da discussão em Mato Grosso do Sul.

Para Shandor, a crise do STF não começou com o caso Banco Master e precisa ser analisada dentro de um contexto institucional mais amplo.

Crise do STF se mistura ao debate eleitoral

Na avaliação do cientista político, o momento em que a crise chegou ao centro do debate é particularmente relevante porque ocorre próximo ao início do processo eleitoral.

Ele afirma que a discussão sobre o Supremo passou a ocupar espaço que também poderia estar sendo destinado às propostas dos candidatos para áreas como saúde e segurança pública.

“A gente vai olhando para isso e fica até desesperançoso. É aquilo que a ministra Cármen Lúcia disse, tristes no que diz respeito ao funcionamento das nossas instituições republicanas”.

Shandor também chama atenção para a necessidade de separar a crise envolvendo o Supremo dos demais episódios relacionados ao Banco Master. Segundo ele, o caso envolve diferentes atores e não deveria ser associado exclusivamente à Corte.

Para o pesquisador, a concentração do debate no STF pode deixar em segundo plano outras questões institucionais, entre elas a utilização das emendas parlamentares.

Emendas parlamentares entram no debate

Um dos principais pontos levantados durante a entrevista foi a transparência na utilização dos recursos das emendas parlamentares.

Shandor defende que o eleitor também acompanhe como deputados e senadores utilizam os recursos que têm à disposição e de que maneira essas verbas atendem às necessidades das regiões que representam.

“Será que esses deputados que pedem os votos para os eleitores alocaram os recursos para a saúde, da maneira que os eleitores desejavam, ou que acham que foi satisfatório ou competente?”.

Para ele, a discussão sobre as emendas é especialmente importante porque parte dos recursos tem destinação para áreas como a saúde. O cientista político questiona como o eleitor pode avaliar o trabalho de um parlamentar sem conhecer a aplicação dos valores destinados por meio das emendas.

A preocupação também aparece quando Shandor fala sobre uma eventual reforma institucional do STF. Na avaliação dele, discutir o funcionamento da Corte exige analisar também como parlamentares são responsabilizados pela destinação e pelos resultados das políticas públicas financiadas com recursos públicos.

Eleições em Mato Grosso do Sul

Ao analisar o cenário de Mato Grosso do Sul, Shandor destacou a disputa pelas duas vagas ao Senado como um dos pontos que merecem atenção durante a campanha.

Ele ressaltou, porém, que pesquisas eleitorais divulgadas por diferentes institutos apresentam metodologias distintas, o que exige cautela na comparação dos resultados.

Sobre a disputa pelo governo estadual, o pesquisador também mencionou a possibilidade de segundo turno como uma questão ainda em aberto nas pesquisas analisadas por ele.

Como pesquisas diferentes utilizam amostras, questionários e metodologias distintas, Shandor considera necessário observar os levantamentos com cuidado e evitar conclusões baseadas em um único resultado.

Para Shandor, o debate eleitoral deve ir além das disputas entre grupos políticos e alcançar questões concretas sobre o funcionamento das instituições e a aplicação dos recursos públicos.

Confira a entrevista completa:

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