Camisa 10 marca na vitória por 3 a 0 sobre Benin e se despede da Albiceleste como maior artilheiro e jogador com mais partidas pela equipe
A trajetória de Lionel Messi pela seleção argentina chegou ao fim na noite desta terça-feira (6), em Buenos Aires. Diante de um Monumental de Núñez lotado, o camisa 10 marcou um gol e deu duas assistências na vitória por 3 a 0 sobre o Benin, em seu último jogo com a equipe nacional.
Mais do que o resultado do amistoso, a partida marcou o encerramento de uma passagem de 21 anos que transformou a relação de Messi com a seleção argentina. Aos 39 anos, o atacante deixa a Albiceleste como o jogador que mais vezes vestiu a camisa da equipe e também como seu maior goleador.
Messi encerra o ciclo com 208 partidas, 126 gols e 70 assistências pela Argentina. Ao longo desse período, conquistou quatro títulos pela seleção principal: as Copas América de 2021 e 2024, a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo de 2022, no Qatar.
A despedida também teve um componente pessoal. Antes mesmo de chegar ao estádio, Messi foi filmado chorando dentro do ônibus que levava a delegação ao Monumental. Durante o aquecimento, o técnico Lionel Scaloni também não conteve a emoção. Os dois voltaram a chorar durante a execução do hino argentino.
Um último jogo à altura
O primeiro tempo não teve gols. Messi foi o jogador argentino que mais procurou a meta adversária, mas parou duas vezes no goleiro Marcel Dandjinou e desperdiçou outras duas oportunidades.
O Benin, apesar de ocupar posição muito inferior à Argentina no ranking da Fifa, também ameaçou. Aos 18 minutos, Junior Olaitan recebeu cruzamento de Rodolfo Aloko e finalizou para fora após se antecipar ao goleiro Emiliano Martínez.
A história mudou depois do intervalo.
Aos dois minutos, Messi cobrou escanteio pela esquerda e encontrou Nicolás Otamendi, que finalizou de primeira para abrir o placar. A jogada marcou a 69ª assistência de Messi pela seleção e também o gol de despedida de Otamendi, outro veterano da geração campeã mundial.
O segundo gol teve novamente participação direta do camisa 10. Aos dez minutos, Messi recebeu pela direita e encontrou Nico Paz na entrada da área. O meia dominou, trouxe a bola para a perna esquerda e acertou um chute cruzado para fazer 2 a 0.
O gol ganhou significado especial por envolver um dos jogadores apontados como possível sucessor de Messi. Aos 22 anos, Nico Paz marcou após receber o passe do principal símbolo da geração que conquistou a Copa do Mundo de 2022.
O último gol
Aos 22 minutos, Messi teve a oportunidade de marcar pela última vez com a camisa argentina.
Agustín Giay, lateral do Palmeiras, sofreu falta dentro da área cometida pelo zagueiro Taminou Ouorou. O árbitro chileno Fernando Véjar marcou pênalti.
Messi assumiu a cobrança. Bateu no ângulo esquerdo, deslocou o goleiro Dandjinou e fez o terceiro gol argentino.
O Monumental explodiu. Messi comemorou cercado pelos companheiros, enquanto o público transformava o lance em uma espécie de despedida particular do camisa 10.
O atacante ainda teve outras duas oportunidades de marcar. Aos 29 minutos, recebeu cruzamento rasteiro de Nico González, mas finalizou para fora. Aos 43, acertou um chute de primeira no canto direito, defendido por Saturnin Allagbé, que ainda desviou a bola para a trave.
Aos 49 minutos do segundo tempo, o árbitro encerrou a partida. Terminava ali a história de Messi com a seleção argentina.
De promessa a campeão mundial
A relação de Messi com a seleção começou ainda nas categorias de base. Em 2005, ele foi campeão mundial sub-20. Três anos depois, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em uma competição destinada a jogadores sub-23.
Na equipe principal, entretanto, o caminho até os títulos foi mais longo.
Messi disputou quatro finais de Copa América antes de conquistar seu primeiro troféu pela seleção principal. Em 2014, chegou à decisão da Copa do Mundo no Brasil, mas a Argentina perdeu para a Alemanha na prorrogação.
O atacante também conviveu com derrotas nas finais da Copa América de 2015 e 2016. Após a derrota para o Chile em 2016, chegou a anunciar sua aposentadoria da seleção, mas voltou atrás.
A virada definitiva veio em 2021. Na final da Copa América disputada no Maracanã, a Argentina derrotou o Brasil por 1 a 0 e Messi conquistou seu primeiro título pela seleção principal.
No ano seguinte, veio a consagração. Na Copa do Mundo do Qatar, a Argentina derrotou a França nos pênaltis após empate por 3 a 3 no tempo regulamentar e na prorrogação. Messi marcou dois gols na decisão e converteu sua cobrança na disputa de pênaltis.
O título encerrou uma das principais discussões em torno de sua carreira: a falta de uma Copa do Mundo com a seleção argentina.
Depois do Mundial, Messi ainda conquistou a Copa América de 2024 e a Finalíssima, disputada entre os campeões da América do Sul e da Europa.
Agora, deixa a seleção com quatro títulos pela equipe principal e como recordista em praticamente todos os principais números individuais da história argentina.
Aos 39 anos, a última imagem de Messi com a camisa listrada de azul e branco foi a de um jogador ainda decisivo: gol, duas assistências e uma vitória por 3 a 0. Depois de 21 anos, a era do camisa 10 na seleção argentina chegou ao fim.
Com informações da Agência Brasil

















