Polícia Federal investiga esquema de lavagem de dinheiro e monopólio de internet no Rio
Preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, foi um dos alvos da Operação Backbone, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (19). A investigação mira uma estrutura ligada ao Comando Vermelho (CV) suspeita de controlar o fornecimento de internet em comunidades do Rio de Janeiro e lavar dinheiro por meio de empresas.
A Justiça autorizou 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões. Até o início da tarde, 20 mandados de prisão haviam sido cumpridos, segundo a PF. Parte das ordens foi direcionada a investigados que já estão no sistema prisional, incluindo Marcinho VP, que permanece custodiado em Campo Grande.
O traficante completou 30 anos de prisão em 2026 e está em uma unidade federal de segurança máxima fora do Rio de Janeiro. A inclusão de seu nome na operação ocorre em meio às investigações sobre a atuação financeira e empresarial de pessoas apontadas como integrantes ou ligadas à facção.
Mulher e filho de Marcinho VP também são presos
Entre os presos na operação estão Márcia Gama Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, e Lucas dos Santos Nepomuceno, filho do casal. Os dois foram levados à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
Márcia é mãe do rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno. Segundo a PF, a investigação apura o uso de empresas provedoras de internet para movimentar e ocultar recursos relacionados às atividades criminosas.
O advogado Flávio Fernandes, que representa Márcia, afirmou que ainda não teve acesso aos autos e, por isso, não poderia avaliar os fundamentos da prisão. Ele negou o envolvimento da cliente no esquema e declarou que as empresas vinculadas a ela são legalizadas, emitem notas fiscais e mantêm as obrigações tributárias em dia.
Investigação mira monopólio de internet
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado impõe o monopólio do fornecimento de internet nos complexos do Alemão e da Penha, além de áreas do Chapadão e de bairros como Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe, na zona norte do Rio.
A suspeita é que empresas provedoras sejam utilizadas para lavar dinheiro obtido com atividades criminosas. As medidas judiciais também atingem produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e outras pessoas jurídicas apontadas como possíveis instrumentos do esquema.
Além do bloqueio patrimonial de até R$ 558 milhões, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas das empresas alcançadas pelas decisões. As diligências ocorreram na capital fluminense e em municípios como Nova Iguaçu, São João de Meriti, Magé, Teresópolis e Maricá.
A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro, seguindo diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635.
As suspeitas ainda são objeto de investigação. A inclusão entre os alvos e a prisão preventiva não representam, por si só, condenação criminal.
Com informações e imagem da Agência Brasil

















