A sessão da Câmara Municipal de Campo Grande desta terça-feira (20), que previa esclarecimentos do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, sobre o serviço de tapa-buraco, foi encerrada por questões de segurança após um tumulto no plenário. Durante o episódio, um servidor público municipal arremessou uma maquete de isopor que representava o asfalto e um buraco na direção do espaço ocupado pelos vereadores.
O secretário havia acabado de iniciar sua explanação quando o objeto, levado à Câmara por um cidadão, foi quebrado e arremessado pelo servidor. Guardas civis metropolitanos intervieram para retirar o homem do plenário.
O pronunciamento havia sido solicitado por meio de requerimento aprovado pelos vereadores na quinta-feira anterior (15), diante das reclamações sobre a qualidade dos serviços de manutenção das ruas da Capital.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, classificou o episódio como inadmissível. “É inadmissível que um servidor comissionado do Executivo Municipal venha na nossa Casa nos desrespeitar”, afirmou.
Papy disse que a convocação do secretário tinha como objetivo obter explicações sobre as condições das vias públicas. “Estou consternado e envergonhado pelo comportamento dessa pessoa. Nitidamente isso aqui é um ato político. Nosso ato não é político, a convocação do secretário é um respeito e defesa às pessoas de Campo Grande que não aguentam mais conviver com a cidade esburacada. Nada mais que isso. Hoje era a oportunidade de o secretário explicar ao campo-grandense o que está acontecendo. O comportamento de provocar briga e atirar objeto em Plenário é inadmissível”, reforçou.
O primeiro-secretário da Câmara, vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, afirmou que o tumulto impediu a apresentação de dados sobre os serviços de manutenção viária.
“Nós íamos sabatinar o secretário de Obras. Tecnicamente ele iria mostrar os números para a Câmara e toda sociedade. Aí veio uma torcida que não sei quem chamou, quebrou a placa do rapaz e a sessão teve que terminar por falta de segurança e falta de condições de o secretário explicar o que o povo precisa saber”.
Câmara reúne assinaturas para CPI do tapa-buraco
A Câmara Municipal já reúne as assinaturas necessárias para o requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a execução dos serviços de tapa-buraco em Campo Grande.
De autoria da vereadora Luiza Ribeiro, a proposta prevê prazo inicial de 120 dias para a investigação. Entre os pontos que deverão ser apurados estão possíveis irregularidades em contratos, a redução dos investimentos na manutenção das vias públicas em 2026 e o descumprimento de prazos para responder a pedidos de informação aprovados pelo plenário.
Antes da sessão, Papy afirmou que a situação das ruas tem gerado insatisfação entre os moradores, especialmente após o aumento das chuvas.
“Ninguém consegue andar pela cidade. Nos últimos dias, com o aumento das chuvas, ficou impossível transitar em alguns locais. A população chegou a um nível de indignação muito grande”, disse.
Sobre a investigação, o presidente acrescentou “a CPI não é uma caça às bruxas, mas uma forma de responsabilizar quem deve ser responsabilizado e, principalmente, esclarecer a população”.
O requerimento será encaminhado à Procuradoria Jurídica da Câmara, responsável por emitir parecer técnico sobre a instalação da comissão.

















