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Presidente terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, mas venceu a disputa com 51,79% dos votos válidos; eleição também teve denúncias de falhas no transporte e extensão do horário de votação

O segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25), foi marcado por denúncias de falta de transporte público, uma decisão inédita que prorrogou o horário de votação em seções eleitorais ainda abertas e uma disputa acirrada durante a apuração. Ao final da contagem, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu seu quarto mandato à frente da Presidência da República.

Com 100% das seções totalizadas, Lula recebeu 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O resultado entrou para a história das eleições presidenciais brasileiras. Pela primeira vez, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter a disputa e vencer a eleição no segundo turno.

Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. No segundo turno, o petista conseguiu superar o adversário e confirmou a vitória.

Com o resultado, Lula amplia o próprio recorde de vitórias em eleições diretas para a Presidência. Ele já havia vencido as disputas de 2002, 2006 e 2022. A posse do novo mandato está prevista para 5 de janeiro de 2027.

Denúncias de falta de transporte

Antes da definição do resultado, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e denunciou dificuldades de acesso ao transporte público em cidades de pelo menos nove estados: Bahia, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.

Na ação, a coligação Brasil Pronto Pra Mais afirmou que a redução da frota de ônibus e outros problemas no transporte coletivo prejudicaram o deslocamento de eleitores até os locais de votação. O documento reuniu relatos de longas esperas, dificuldades para conseguir transporte gratuito e redução na circulação de veículos.

Na Bahia, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pediu a prisão do secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, em meio aos problemas registrados na capital. O Procon-BA identificou 370 ônibus parados nas garagens da cidade.

Em outros estados, a campanha relatou dificuldades no transporte intermunicipal em Alagoas e Pernambuco, redução da frota em Teresina, no Piauí, e problemas para o deslocamento de eleitores indígenas em Roraima. Também foram mencionadas ocorrências na Paraíba, no Pará e em municípios do Rio de Janeiro.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também se manifestou nas redes sociais. Ele afirmou que a falta de ônibus estaria concentrada em regiões onde Lula teve mais votos no primeiro turno e atribuiu os problemas à atuação de prefeitos alinhados ao bolsonarismo.

A coligação pediu providências para garantir o transporte dos eleitores e a ampliação do horário de votação nas localidades afetadas.

Horário de votação foi prorrogado

Diante das denúncias, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília. A medida foi excepcional e valeu para as seções eleitorais que ainda estavam abertas no momento da decisão, tomada após as 17h. As urnas que já haviam sido fechadas não foram reabertas.

A decisão ocorreu após pedidos relacionados a dificuldades de deslocamento de eleitores. A campanha de Lula denunciou problemas no transporte público em diferentes regiões do país, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro também pediu a ampliação do horário em razão das chuvas em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

A prorrogação provocou ajustes nos procedimentos de apuração. O TSE suspendeu temporariamente o recebimento e o processamento de boletins de urna, retomando a totalização depois das 19h.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou, ao fazer o balanço do segundo turno, que a decisão exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas da Justiça Eleitoral. Segundo ele, milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a determinação foi comunicada, o que dificultou a execução da medida.

Disputa teve mudança na liderança

A apuração foi marcada por uma disputa acirrada entre os dois candidatos. Lula começou na frente, mas Flávio Bolsonaro assumiu a liderança às 19h46, conforme os resultados de novas urnas foram contabilizados.

O senador permaneceu à frente por cerca de 38 minutos. Às 20h24, Lula recuperou a liderança e seguiu na dianteira até a confirmação matemática da vitória.

O TSE anunciou a reeleição do petista às 21h08, quando 97,69% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, Lula tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.

Com a conclusão da totalização, o resultado final confirmou 51,79% dos votos válidos para Lula e 48,21% para o adversário.

Abstenção foi menor no segundo turno

Mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas no segundo turno. A abstenção ficou em 19,22%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.

A redução representa uma participação maior do eleitorado na etapa final da disputa presidencial. Votos brancos e nulos somaram 3,24% do total registrado para a Presidência da República.

Com informações da Agência Brasil e imagem Agência Brasil

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