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Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 2,2 milhões de votos à frente, mas Lula reverteu o resultado após ampliar sua votação; abstenção caiu e quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas.

A eleição presidencial de 2026 terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o resultado do segundo turno foi diferente do cenário registrado na primeira etapa da votação. Em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) havia saído na frente, com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Três semanas depois, Lula reverteu a diferença e venceu a disputa com mais de 4,4 milhões de votos à frente do adversário.

Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Lula recebeu cerca de 53,9 milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 45,16% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro teve aproximadamente 56,1 milhões de votos, ou 47,03%. A diferença entre os dois era de cerca de 2,2 milhões de votos a favor do candidato do PL.

No segundo turno, realizado neste domingo (25), o resultado foi invertido. Lula terminou a eleição com aproximadamente 64,3 milhões de votos, correspondentes a 51,78% dos votos válidos. Flávio recebeu cerca de 59,8 milhões de votos, ou 48,22%. Com isso, o petista venceu por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.

Lula ampliou votação quase três vezes mais que Flávio

A comparação entre os dois turnos revela uma diferença no crescimento da votação dos candidatos. Lula conquistou cerca de 10,4 milhões de votos a mais entre as duas etapas, enquanto Flávio ampliou seu total em aproximadamente 3,7 milhões.

Em números absolutos, o crescimento da votação de Lula foi quase três vezes maior que o do adversário. O petista passou de 45,16% para 51,78% dos votos válidos, um avanço de 6,62 pontos percentuais.

Flávio, por sua vez, subiu de 47,03% para 48,22%, um aumento de 1,19 ponto percentual. Apesar de ter ampliado sua votação em números absolutos, o senador não conseguiu manter a vantagem percentual obtida no primeiro turno.

Campanhas intensificaram mobilização de eleitores

A disputa pelo segundo turno também foi marcada pelo esforço das campanhas para ampliar o comparecimento às urnas. Depois de uma primeira etapa com mais de 33 milhões de eleitores ausentes, o PT passou a dar atenção especial à mobilização de pessoas que não haviam votado em 4 de outubro.

A estratégia incluía tentar recuperar eleitores que já haviam apoiado Lula em outras eleições, mas não compareceram no primeiro turno, além de buscar apoio entre pessoas que votaram em outros candidatos, em branco ou anularam o voto.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou, após a primeira votação, que o partido pretendia mobilizar parte dos cerca de 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. A campanha também incentivou a participação de apoiadores e a organização de deslocamentos para facilitar o comparecimento de eleitores.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também percorreu cidades e convocou apoiadores a participar da votação, em uma tentativa de ampliar a vantagem conquistada na primeira etapa.

A mobilização ocorreu em uma disputa na qual cada voto poderia influenciar o resultado. No entanto, os números finais não permitem identificar quantos eleitores que faltaram no primeiro turno voltaram às urnas para votar em cada candidato.

Abstenção caiu e quase 3 milhões de eleitores a mais votaram

Outro dado que chama a atenção na comparação entre as duas etapas é a redução da abstenção. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, 21,08% dos eleitores aptos não compareceram às urnas, o equivalente a aproximadamente 33,5 milhões de pessoas.

No segundo turno, o índice caiu para 19,21%, com cerca de 30,5 milhões de eleitores ausentes. A redução foi de 1,87 ponto percentual, e aproximadamente 3 milhões de pessoas a mais compareceram à votação.

A queda também teve relevância histórica. Foi a segunda vez desde a redemocratização que a abstenção diminuiu entre o primeiro e o segundo turno de uma eleição presidencial. A situação anterior havia ocorrido em 2022, quando o índice passou de 20,95% para cerca de 20,58%.

O aumento da participação coincidiu com a mobilização promovida pelas campanhas, mas não é possível atribuir a redução da abstenção exclusivamente a esse esforço. Os dados mostram que mais eleitores compareceram, sem identificar, por si só, quais fatores determinaram essa mudança ou como essas pessoas votaram.

Diferença entre os candidatos mudou de lado

No primeiro turno, Flávio tinha uma vantagem de aproximadamente 1,87 ponto percentual sobre Lula. No resultado final, o petista terminou com cerca de 3,56 pontos percentuais à frente do adversário.

A mudança no placar mostra como a disputa se alterou entre as duas etapas eleitorais. Além do crescimento da votação dos dois candidatos, a eleição teve redução da abstenção e dos votos brancos e nulos.

Os votos brancos passaram de 1,84% para cerca de 1,12%, enquanto os nulos recuaram de 2,93% para aproximadamente 2,12%, segundo os dados divulgados durante a apuração pelo TSE.

Com a conclusão da votação, Lula foi reeleito para um novo mandato à frente da Presidência da República. O resultado consolidou a virada em relação ao primeiro turno e encerrou uma disputa na qual Flávio Bolsonaro havia começado com vantagem numérica, mas terminou atrás do adversário.

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