Estratégia prevê integração entre os serviços de saúde dos dois países e envolve 21 municípios sul-mato-grossenses para ampliar a cobertura vacinal nas regiões fronteiriças
Mato Grosso do Sul discute com o Paraguai medidas para ampliar a vacinação entre moradores das regiões de fronteira. A proposta prevê ações conjuntas entre os serviços de saúde dos dois países, com estratégias de comunicação, mobilização da população e acompanhamento das coberturas vacinais. Ao todo, 21 municípios sul-mato-grossenses estão relacionados ao planejamento apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS).
A iniciativa foi discutida durante a Oficina Binacional de Vacinação Brasil–Paraguai, realizada no fim de outubro, em Foz do Iguaçu (PR). O encontro reuniu representantes dos Ministérios da Saúde dos dois países, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), das secretarias estaduais de Saúde de Mato Grosso do Sul e do Paraná e de municípios fronteiriços.
Dados do Painel DEMAS, do Ministério da Saúde, referentes a agosto de 2026, mostram que Mato Grosso do Sul tinha cobertura de 91,5% na primeira dose da tríplice viral, 85% na vacinação contra a poliomielite e 83,1% na pentavalente.
Em 2025, os índices foram de 100,4% para BCG, 101,1% para hepatite B em menores de 30 dias e 98,4% para pneumocócica 10-valente.
Os percentuais acima de 100% podem ocorrer por diferenças entre o número de doses aplicadas e a população estimada para determinado público-alvo. Por isso, os indicadores são utilizados para acompanhar o desempenho da vacinação, mas não significam necessariamente que toda a população esteja imunizada.
O levantamento também aponta diferenças de cobertura entre os municípios, o que reforça a necessidade de medidas adaptadas à realidade de cada região.
Municípios envolvidos
Do total de 21 municípios relacionados ao planejamento, 12 já fazem parte da pactuação binacional: Corumbá, Porto Murtinho, Bela Vista, Amambai, Aral Moreira, Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Mundo Novo, Eldorado, Iguatemi e Tacuru.
Outros nove aparecem como proposta de inclusão: Ladário, Miranda, Juti, Japorã, Dourados, Antônio João, Itaquiraí, Naviraí e Sete Quedas.
A estratégia contempla duas regiões de fronteira: Sul Fronteira e Pantanal.
Segundo a secretária adjunta da SES-MS, Crhistinne Maymone, a oficina permitiu comparar os programas de vacinação dos dois países, identificar diferenças entre as realidades locais e discutir os desafios enfrentados pelas equipes de saúde nas áreas de fronteira.
“A partir do diagnóstico das realidades locais, os participantes trabalham na construção de estratégias voltadas à comunicação, à mobilização da população e ao fortalecimento das ações de imunização. A iniciativa busca transformar as experiências compartilhadas em medidas articuladas, considerando as necessidades das comunidades que vivem nas regiões de fronteira”, acrescenta a secretária.
A programação também incluiu discussões sobre a elaboração e a execução dos planos de ação, com definição de responsabilidades, cronogramas, indicadores, metas e mecanismos de articulação entre Brasil e Paraguai.
“A organização dessas medidas é uma etapa importante para estruturar a cooperação entre os países e orientar a implementação das estratégias discutidas”, afirmou Maymone.
Participaram do encontro representantes de Ponta Porã, Mundo Novo e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, além de Foz do Iguaçu, no Paraná. Também esteve presente o assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Sandro Terabe.
A expectativa é que a integração entre os serviços de saúde facilite o compartilhamento de informações e a organização de campanhas de vacinação, especialmente em comunidades que circulam entre os dois países.
Com informações da SES-MS e imagem Bruno Rezende/Secom-MS (arquivo)



















