Copom anuncia nesta quarta-feira (4) a nova taxa Selic; mercado passou a apostar na manutenção dos juros em 13,75% ao ano diante das incertezas econômicas
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (4) para decidir se reduz novamente a taxa básica de juros da economia brasileira ou mantém o patamar atual de 13,75% ao ano. A decisão será anunciada no início da noite, em meio à alta recente do dólar e à preocupação com a inflação.
A expectativa do mercado financeiro mudou nas últimas semanas. Embora o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, ainda indique uma Selic de 13,5% ao ano ao fim de 2026, analistas passaram a considerar mais provável a manutenção dos juros nesta reunião.
O movimento representa uma mudança em relação às projeções anteriores, que apontavam para mais um corte de 0,25 ponto percentual. Caso a redução fosse confirmada, seria a sexta consecutiva desde o início do ciclo de queda, em março.
A cautela dos investidores está relacionada principalmente à pressão sobre o câmbio, ao aumento dos gastos públicos e às incertezas sobre a inflação. A alta do petróleo e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos também entram no cenário avaliado pelo Banco Central.
A reunião desta quarta-feira é a penúltima do ano. Na sequência, o Copom volta a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro.
Inflação continua acima da meta
Apesar de apresentar desaceleração em outubro, a inflação ainda preocupa. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,32% no mês passado, metade da taxa registrada anteriormente.
No acumulado de 12 meses, entretanto, o indicador avançou de 4,5% para 4,62%, permanecendo acima do limite máximo da meta de inflação, estabelecida em 4,5%.
A projeção para a inflação de 2026 também subiu no boletim Focus. A estimativa passou de 5,19% para 5,22%, movimento atribuído principalmente ao conflito no Oriente Médio e à recente alta do dólar.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o índice pode variar entre 1,5% e 4,5% sem ultrapassar os limites estabelecidos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado do IPCA cheio de outubro no próximo dia 12.
Como funciona a Taxa Selic
A Selic é a principal referência para os juros praticados na economia brasileira e funciona como o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Atualmente, está em 13,75% ao ano.
A taxa chegou a 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos, e permaneceu nesse nível entre junho de 2025 e março deste ano. Desde então, o Copom promoveu cinco reduções consecutivas, até chegar ao percentual atual.
Na prática, quando o Banco Central aumenta os juros, o objetivo é reduzir o consumo e conter a alta dos preços. Com o crédito mais caro, famílias e empresas tendem a diminuir os gastos e os investimentos, o que ajuda a controlar a demanda.
Por outro lado, juros elevados também podem dificultar o crescimento econômico. Quando a Selic diminui, a tendência é de que empréstimos e financiamentos fiquem mais baratos, estimulando o consumo, a produção e os investimentos.
A definição da taxa ocorre a cada 45 dias, durante reuniões de dois dias. No primeiro, os integrantes do Copom analisam dados e projeções das economias brasileira e internacional, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo, os diretores do Banco Central discutem os cenários e votam a decisão sobre os juros.
Meta de inflação é acompanhada mês a mês
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o Banco Central acompanha a variação dos preços acumulada em 12 meses, em vez de considerar apenas o resultado fechado de cada ano.
A meta central permanece em 3%, com limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%. A verificação é feita mensalmente, considerando a inflação acumulada no período de 12 meses e comparando o resultado com os limites estabelecidos pelo CMN.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro, o Banco Central manteve em 5,2% a projeção para o IPCA de 2026. A estimativa, no entanto, poderá ser revista caso a valorização do dólar persista.
A próxima edição do relatório, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, está prevista para o fim de dezembro.
*Com informações e imagem de Agência Brasil



















