COP 15 da Convenção sobre Espécies Migratórias reunirá 133 países em março de 2026 para atualizar listas de proteção, aprovar orçamento e definir prioridades globais de conservação
Campo Grande vai receber, entre os dias 23 e 29 de março de 2026, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP 15 da CMS). Será a primeira vez que o Brasil sediará a principal instância de decisão do tratado internacional voltado à proteção de espécies migratórias.
O encontro deve reunir mais de 2 mil participantes, entre representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e integrantes da sociedade civil. O governo federal está à frente da organização, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A presidência da conferência ficará a cargo do secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco.
A CMS é um tratado ambiental vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), criado em 1979 para promover a cooperação internacional na conservação de espécies migratórias, seus habitats e rotas. Atualmente, 132 países e a União Europeia são signatários da Convenção. Ao todo, 133 partes participam das deliberações da COP.
Durante a conferência, os países avaliam o estado de conservação das espécies migratórias, definem prioridades para o triênio seguinte e deliberam sobre políticas, ações e orçamento da Convenção.
O que são espécies migratórias
Espécies migratórias são aquelas que se deslocam de um local para outro em determinados períodos do ano, seguindo padrões regulares e previsíveis. Esse comportamento ocorre em diferentes grupos de animais, como aves, mamíferos, peixes, répteis, anfíbios e insetos.
No âmbito da CMS, são consideradas migratórias as espécies cuja população, ou parte dela, cruza fronteiras internacionais ao longo do ciclo de vida. Por isso, a proteção depende de cooperação entre países.
Os deslocamentos ocorrem por razões como busca por alimento, água, condições climáticas favoráveis e locais adequados para reprodução. Tartarugas marinhas, por exemplo, percorrem grandes distâncias sozinhas, atravessando oceanos. Outras espécies migram em grandes grupos.
No mundo, são aproximadamente 1.189 espécies migratórias, sendo 962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 peixes, 10 répteis e um inseto. Parte dessas espécies passa pelo Brasil.
Importância ecológica e econômica
As espécies migratórias exercem funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Entre elas estão o transporte de nutrientes entre ambientes terrestres, aquáticos e marinhos, a polinização de plantas, a dispersão de sementes e o suporte a atividades como o ecoturismo.
Esses animais também funcionam como indicadores ambientais. Alterações em seus padrões migratórios ou na dimensão das populações podem sinalizar problemas ao longo das rotas e nos habitats utilizados.
Principais ameaças
Segundo dados da Convenção, duas ameaças se destacam: a perda, degradação e fragmentação de habitats, que afeta 75% das espécies migratórias, e a sobre-exploração, que atinge 70%.
A expansão agrícola e a construção de infraestruturas, como barragens em rios, comprometem a conectividade necessária à migração de peixes e outros animais. Já a sobre-exploração ocorre quando a retirada de indivíduos da natureza ultrapassa a capacidade de renovação das populações, seja para consumo, comércio ou outros usos.
Para organizar as medidas de proteção, a CMS divide as espécies em dois anexos. O Anexo I reúne aquelas ameaçadas de extinção, que demandam proteção rigorosa e ações urgentes. O Anexo II contempla espécies com estado de conservação desfavorável ou que se beneficiam de ações coordenadas entre países.
As listas são revisadas a cada três anos durante a COP.
O que está em pauta na COP 15
Em 2026, a conferência terá como tema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”. A proposta é ampliar a proteção não apenas dos destinos das espécies, mas também das rotas migratórias e pontos de parada.
Entre os documentos previstos para análise estão 17 propostas de alterações nos anexos da Convenção, 11 relatórios sobre a implementação de Ações Concertadas no último triênio e 16 propostas de novas Ações Concertadas para o período seguinte. Também serão avaliados relatórios nacionais apresentados pelos países membros.
Durante a COP, as partes aprovam o orçamento do Secretariado da CMS para os três anos seguintes, adotam resoluções e podem firmar declarações políticas de alto nível, incluindo declarações ministeriais.
A conferência segue o padrão adotado em tratados internacionais da ONU. O número 15 indica a quantidade de edições já realizadas. Em modelo semelhante, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima realiza periodicamente sua Conferência das Partes, como ocorreu na COP30.
Com a realização do evento em Campo Grande, o Brasil passa a ocupar posição central nas discussões globais sobre a proteção de espécies que cruzam fronteiras e dependem de cooperação internacional para sobreviver.
*Informações: Governo Federal
*Imagem: Rodrigo Agostinho/Ibama




















