Município enfrenta avanço da doença e estado será incluído em estratégia nacional de imunização
Portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional publicada nesta segunda-feira (30), no Diário Oficial da União, reconhece situação de emergência em saúde pública no município de Dourados (MS) em razão de doenças infecciosas virais, incluindo casos de chikungunya.
Com o reconhecimento, a prefeitura poderá ampliar as ações de enfrentamento à doença. “Com o reconhecimento da situação de emergência em saúde, a prefeitura de Dourados poderá enfrentar de forma mais contundente o avanço da doença sobre os bairros e, também, ampliar as ações que já estão sendo realizadas na reserva indígena, em parceria com o governo federal e com o governo do estado”, informou a administração municipal.
Na última sexta-feira (27), o prefeito Marçal Filho já havia decretado situação de emergência em áreas afetadas pela epidemia. “A medida visa dar maior autonomia à Defesa Civil de Dourados para atuar no combate à doença”.
Dados do boletim epidemiológico divulgado no dia 26 indicam, na área urbana, 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações. Na Reserva Indígena de Dourados, são 1.168 casos prováveis, 629 confirmados, 539 em investigação, sete internações, 428 atendimentos hospitalares e cinco óbitos.
Segundo a prefeitura, o decreto autoriza a mobilização de órgãos municipais para atuação coordenada pela Defesa Civil, além da convocação de voluntários e campanhas de arrecadação. O texto também prevê medidas emergenciais em situações de risco iminente, como entrada em residências para prestação de socorro.
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue. Entre os principais sintomas estão dor articular intensa e inchaço, podendo haver complicações que exigem internação.
Vacina em projeto piloto
Diante do cenário epidemiológico, Mato Grosso do Sul será incluído em uma estratégia piloto de vacinação contra a chikungunya, coordenada pelo Ministério da Saúde. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (30) pela Secretaria de Estado de Saúde.
Segundo a pasta, a inclusão ocorreu após solicitação formal ao ministério, motivada pela situação registrada em Dourados, especialmente em territórios indígenas.
“Antes mesmo da confirmação do envio das doses, o estado já havia estruturado uma resposta técnica para pleitear a participação na estratégia nacional, inicialmente restrita a poucos municípios brasileiros”, destacou a secretaria.
A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está na fase 4 de monitoramento, etapa que avalia a efetividade em condições reais de uso.
No país, o imunizante é aplicado de forma controlada, em parceria com o Instituto Butantan, em municípios selecionados. A definição das localidades leva em conta critérios como situação epidemiológica e capacidade de resposta da rede de saúde.
“Nesse contexto, Dourados se enquadra como área prioritária, especialmente pelo impacto da doença nas comunidades indígenas”, informou a secretaria.
O Ministério da Saúde deve enviar equipes para capacitar profissionais em Mato Grosso do Sul. A vacinação terá início pela população indígena, com treinamento específico para trabalhadores que atuam nesses territórios.
“Por se tratar de uma estratégia piloto, a vacinação contra a chikungunya ainda ocorre de forma restrita e monitorada no país. A expectativa é que, a partir dos resultados obtidos, haja ampliação progressiva da oferta do imunizante no SUS [Sistema Único de Saúde]”, concluiu a secretaria.
*Informações e imagem: Agência Brasil





















