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O que começou como uma forma de lidar com a dor da perda de um filho acabou se transformando em um negócio e em um novo propósito de vida. Em Campo Grande, a artesã Lucienne Lopes Teixeira, de 58 anos, encontrou no empreendedorismo uma maneira de reconstruir a rotina e conquistar autonomia financeira.

Dona do Lú Lopes Ateliê, ela produz ecobags e outros itens utilizando materiais recicláveis, como banners publicitários. As peças também trazem estampas inspiradas na biodiversidade do Pantanal, com desenhos de animais do bioma.

A ideia surgiu em um momento difícil. Após a morte do filho, Lucienne entrou em depressão e decidiu buscar uma atividade que ajudasse a ocupar a mente. Na época, ela morava em Corumbá e participou de um curso de produção de bolsas no Moinho Cultural. “Eu perdi um filho e precisava ocupar a mente. Fiz um curso para aprender a fazer bolsas e continuei nesse ramo”, conta.

Quando a filha se mudou para Campo Grande para estudar, Lucienne decidiu acompanhar a jovem e retomar a atividade que havia aprendido anos antes. Foi então que o trabalho artesanal começou a ganhar forma de negócio.

Segundo ela, o apoio de instituições e programas de incentivo ao empreendedorismo foi fundamental nesse processo. A artesã participou de iniciativas ligadas a incubadoras e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que ajudaram a ampliar a visibilidade do ateliê e abrir novas oportunidades.

A partir da criação da linha inspirada nos animais do Pantanal, o negócio começou a crescer. Os produtos já foram enviados para eventos nacionais e até para a COP30, conferência internacional sobre mudanças climáticas que será realizada no Brasil. “Eu estou muito grata por tudo que vem acontecendo. Não esperava tanta visibilidade”, afirma.

Histórias como a de Lucienne mostram como o empreendedorismo tem se tornado um caminho de autonomia para muitas mulheres. Além de gerar renda, abrir o próprio negócio também pode representar independência financeira e novas oportunidades de recomeço.

O tema esteve no centro do evento “Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas”, realizado nesta segunda-feira (9), em Campo Grande, pelo Governo de Mato Grosso do Sul. O encontro reuniu autoridades, especialistas e empreendedoras para discutir autonomia econômica, enfrentamento à violência de gênero e participação feminina na economia.

Durante o evento, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, destacou que a independência econômica pode ajudar mulheres a romper ciclos de violência.

Segundo ela, muitas vítimas permanecem em relações abusivas justamente por depender financeiramente do agressor. Nesse contexto, o empreendedorismo pode representar uma forma de libertação.

Apesar do potencial transformador, a empresária também apontou desafios enfrentados por quem decide empreender no país, como os juros elevados e as dificuldades de acesso ao crédito para pequenos negócios. Para Lucienne, no entanto, os desafios fazem parte do caminho de quem decide apostar no próprio trabalho. “Ser mulher empreendedora é ser guerreira e batalhadora”, resume.

Hoje, ao ver seus produtos sendo vendidos e reconhecidos em diferentes espaços, ela afirma que encontrou no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas também uma forma de transformar a dor em propósito e desja que outras mulehres também cosnigam encontrar seu caminho.

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