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Acompanhar a entrevista de Michael Rubin, CEO da Fanatics, foi um choque saudável de realidade. Mesmo comandando um negócio avaliado em mais de 13 bilhões de dólares, Rubin faz questão de repetir algo o tempo todo: a Fanatics opera como uma startup. Para ele, o dia em que uma empresa perde a mentalidade empreendedora, ela começa a morrer.

Essa fala me marcou porque dialoga muito com o espírito que venho sentindo na NRF 2026. Escala não pode matar fome de inovação. Rubin deixa claro que abrir capital não é prioridade. O foco é construir a melhor empresa possível, com balanço sólido e liberdade estratégica. A Fanatics nasceu justamente da necessidade de não competir com a Amazon no mesmo jogo. Em vez disso, reinventou-se como uma plataforma digital de esportes, centrada no fã.

O que realmente impressiona é a lógica de ecossistema. A Fanatics não é uma empresa só. Ela opera três grandes negócios integrados: comércio, colecionáveis e apostas esportivas. Cada um com bilhões de dólares em receita, mas conectados por uma mesma visão de experiência do fã. Rubin foi direto ao afirmar que eles não dominam o mercado, competem duramente com gigantes como Amazon e Nike, e isso os obriga a serem melhores todos os dias.

A entrada no mercado de apostas esportivas talvez seja o exemplo mais claro dessa mentalidade. A Fanatics só entra em um setor se conseguir melhorar significativamente a experiência do cliente e se houver potencial real de gerar bilhões em lucro. Para competir com FanDuel e DraftKings, criaram diferenciais como o Fan Cash, uma moeda de fidelidade que conecta todo o ecossistema, e mecanismos de proteção como o “bad beat insurance”. Não é sobre aposta. É sobre relação.

Outro ponto que me chamou atenção foi a clareza em dizer onde não entrar. Ticketing e redes esportivas regionais ficaram de fora por modelos quebrados e margens ruins. Em tempos de hype generalizado, saber dizer não é estratégia. Rubin passa metade do tempo construindo relações com atletas, artistas e parceiros estratégicos. A outra metade, buscando obsessivamente os melhores talentos, usando referências profundas e silenciosas para entender quem realmente entrega.

Saí dessa conversa com uma convicção reforçada. O futuro não pertence a empresas que vendem produtos isolados. Ele pertence a quem constrói ecossistemas, fidelidade real e experiências conectadas. A Fanatics não quer vender uma camisa. Quer fazer parte da vida do fã.

Perguntas para reflexão

  1. Minha empresa pensa em produto ou em ecossistema?
  2. Nossa fidelidade é transacional ou relacional?
  3. Sabemos claramente em quais mercados não devemos entrar?
  4. Mantemos mentalidade de startup mesmo com crescimento?
  5. Estamos melhorando de forma real a experiência do cliente ou apenas competindo por preço?

Essas cinco perguntas formam um núcleo duro de transformação.
Se uma empresa responde “não” ou “não sei” para três ou mais delas, o alerta já está ligado.

DIJAN DE BARROS
TOTVS / RD STATION | CAFÉ COM NEGÓCIOS | NRF 2026

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Dijan de Barros

Dijan de Barros

Empreendedor, especialista em gestão e marketing, apresentador, palestrante, TEDxOrganizer, fundador do Café com Negócios e Diretor da Totvs Oeste | @dijanbarros

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