Durante os últimos dois anos e quatro meses, minha rotina teve endereço certo: o agronegócio brasileiro. Foram reuniões longas, agendas cheias e temas sensíveis, sempre com a tarefa de explicar, organizar e sustentar narrativas em um setor que ocupa espaço central na economia e no debate público. Foi um período de aprendizado intenso, vivido de perto, no chão da realidade.
Mas essa história não começou ali.
Antes disso, ao longo de treze anos, meu trabalho se formou na comunicação governamental e institucional. Ambientes onde o tempo é curto, a exposição é permanente e cada palavra publicada precisa resistir ao dia seguinte. Foi nesse contexto que aprendi a lidar com pressão, a organizar informação e a entender que comunicar não é preencher espaços, mas dar forma ao que precisa ser compreendido.
Com o passar do tempo, ficou claro que os dilemas que eu via no agro se repetiam em outros lugares. Excesso de informação, versões que disputam atenção, cobranças imediatas e decisões tomadas em meio ao ruído. O cenário mudava, mas os problemas eram essencialmente os mesmos. Foi aí que entendi que precisava mudar.
Ao ampliar o foco para a comunicação institucional e pública, a Inteligência Artificial deixou de ser um tema distante e passou a integrar meu cotidiano. Ela já influencia a forma como analiso dados, monitoro informações e construo respostas. Ignorar esse movimento deixou de ser confortável e passou a ser arriscado.
Esta coluna nasce desse ponto. Do cruzamento entre experiência prática e a necessidade de compreender, com mais clareza, como a tecnologia está redesenhando a comunicação. O que compartilho aqui não são atalhos nem fórmulas, mas observações aplicadas: o que está sendo usado, o que funciona, o que exige cautela e o que ainda não encontrou lugar.
Gestores públicos e privados, assim como profissionais de comunicação, encontrarão neste espaço um ponto de apoio. Um lugar para começar quando a demanda por Inteligência Artificial surge, quando as perguntas ainda estão confusas e as respostas parecem dispersas. A proposta é ajudar a organizar o pensamento antes da decisão.
No fim, este texto não trata apenas de uma mudança de foco profissional. Ele fala de cenário. De um ambiente cada vez mais técnico, acelerado e exposto e da necessidade de compreender esse contexto antes de tentar respondê-lo.















