O barulho das festas se foram, os enfeites de Natal e Ano Novo começam a ser armazenados. Enquanto alguns continuam a usufruir de suas merecidas férias de final ano, a grande maioria do povo brasileiro inicia suas atividades de forma lenta e reflexiva.
Porém, este tempo que marca o início de um Novo Ano não deve ser visto apenas como um tempo de descanso e de reflexão. Esse momento de desaceleração é fundamental para avaliarmos a nossa produtividade como pessoa, como família e como profissional no ano que se foi.
Para tanto, é fundamental após uma avaliação pessoal e familiar, planejar o ano de 2026. Infelizmente, a grande maioria de nós brasileiros vivemos da seguinte forma: “Deixa a vida me levar”. Alguns foram vencidos pela falta de expectativa de dias melhores; outros por não acreditarem em si mesmos e, ainda outros por viverem desorganizadamente.
Nesta segunda-feira, ao assistir a aula de uma expert da área da produtividade, Tathi Deândhela, ela citou a seguinte frase de Henri Ford: “Se você pensa que pode ou não pode, nos dois casos você está certo”. Eu lhe pergunto: o que vai fazer a diferença nesse caso? Com certeza, a sua escolha. Ou você decide que pode, ou você decide que não pode. Lembrando que a Bíblia nos ensina, “[…] pois tudo aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). A diferença está no tipo de semente que escolhemos plantar. Nada em nossa vida é por acaso, ou simplesmente sorte. É decisão, escolha e coragem para fazer diferente e, consequentemente fazer diferença.
Quando falo em planejar, planejamento é isso. É decidir, é escolher, é ter coragem de fazer diferente em relação ao ano que se passou para que os resultados sejam diferentes. É importante termos clareza de que planejar não é perder tempo, e também, não é difícil. É só decidirmos e termos a coragem de sentar e colocar no papel o quê e o como será a nossa prática pessoal, familiar e profissional neste 2026.
O planejamento é um processo que – após um diagnóstico, uma avaliação – nos ajuda a definir nossos objetivos, nossas metas. É onde decidimos pelas melhores estratégias, as melhores ações, ajudando-nos a organizar nosso tempo, nossos recursos e pessoas que dependem de nós. Torna-se necessário avaliar constantemente um planejamento fazendo sempre os ajustes necessários.
No entanto, nenhum planejamento por mais eficiente que seja, surtirá efeito se não mudarmos os nossos habitus. Eu compreendo esse conceito baseado no sociólogo francês Pierre Bourdieu. É tudo aquilo que internalizamos desde a nossa infância e, também, nos grupos sociais dos quais fazemos parte. São as nossas práticas, os nossos gostos e estes é que definem as nossas escolhas. Ou seja, tudo aquilo que internalizamos é o que externalizamos no nosso cotidiano por meio de nossas ações, nossas escolhas, nossos gostos.
Portanto, desejar um Novo Ano de sucesso pessoal, estudantil, familiar e profissional não é o suficiente. Faz-se necessário revisitarmos os nossos habitus e decidirmos por eliminar todos aqueles maus habitus que nos paralisam, que nos levam a escolhas e resultados indesejados. De nada adianta “mais do mesmo”.
O planejamento é pedagógico. Ele é um processo educativo e necessário em todas as famílias.
Finalizo esse artigo desejando que as famílias brasileiras possam fazer um diagnóstico bem assertivo sobre todas as suas ações em relação a educação familiar e estudantil de seus filhos. O que as crianças e adolescentes vivenciam no ambiente familiar é o que irão externalizar e refletir no ambiente escolar. São os habitus, as práticas e as escolhas vivenciadas no cotidiano familiar. Ainda bem que o habitus é flexível, ele é mutável, não é estático.
Que tenhamos a coragem de decidir por planejar a nossa vida pessoal, familiar e profissional e que o ano de 2026 seja um ano de sementes de qualidade e de boas colheitas para todos nós.













