Nos últimos meses, tenho conversado com muitos empresários que acompanham as notícias sobre a Reforma Tributária com uma mistura de curiosidade e preocupação. É natural. Estamos diante de uma das maiores mudanças no sistema de impostos do país nas últimas décadas. Mas, em muitas dessas conversas, percebo um ponto em comum: muita gente ainda acredita que a Reforma é um assunto distante, algo que só vai impactar as empresas no futuro. A verdade é que essa transformação já começou.
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas ou de regras técnicas. Ela representa uma reorganização profunda da forma como as empresas lidam com impostos, planejamento financeiro, tecnologia e estratégia de negócios. E, como acontece em toda grande mudança estrutural, quem se prepara antes tende a transformar a complexidade em vantagem competitiva.
Para entender o tamanho desse desafio, basta olhar alguns números que ajudam a explicar por que o sistema tributário brasileiro sempre foi considerado um dos mais complexos do mundo. Segundo o relatório Doing Business, do Banco Mundial, uma empresa no Brasil gasta, em média, 1.501 horas por ano apenas para calcular e pagar impostos, o maior tempo registrado entre todos os países analisados. Além disso, desde a Constituição de 1988, foram editadas mais de 460 mil normas tributárias, criando o que muitos especialistas costumam chamar de um verdadeiro “manicômio tributário”, marcado por excesso de regras, insegurança jurídica e alto índice de judicialização.
Nesse contexto surge a reforma tributária, com a promessa de simplificar o sistema e reorganizar a lógica de cobrança de impostos no país. Um dos pilares dessa mudança é a substituição de diversos tributos por um modelo inspirado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), já adotado em várias economias do mundo.
Na prática, a reforma reduz cinco tributos atuais — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — para um modelo de IVA Dual, composto por dois novos impostos. A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) substituirá os tributos federais, enquanto o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) ficará responsável por unificar os tributos estaduais e municipais. Além disso, será criado o Imposto Seletivo (IS), que incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Mas essa mudança não acontecerá de uma única vez. Ela será implementada em fases. 2026 é considerado o chamado “Ano Zero” da reforma. Nesse período tem início a fase de testes do novo modelo, com a cobrança de uma alíquota experimental de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, totalizando 1%. Esse valor poderá ser compensado com os tributos atuais, funcionando como um período de adaptação para empresas, sistemas e governos.
A partir daí, o processo de transição se acelera. Em 2027, PIS e Cofins deixam de existir. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão gradualmente reduzidos até sua extinção completa em 2033, quando o novo modelo estará totalmente implementado. O próprio Ministério da Fazenda estima que a alíquota padrão do novo IVA brasileiro deverá ficar entre 26,5% e 27,9%.
Esses números ajudam a entender por que a preparação precisa começar agora. Empresas que deixarem para entender o novo sistema apenas quando as mudanças já estiverem em vigor podem enfrentar impactos operacionais significativos. Afinal, não se trata apenas de calcular impostos de forma diferente, mas de adaptar processos internos, sistemas de gestão, planejamento financeiro e estratégias de negócio.
É exatamente por isso que decidimos abrir a temporada 2026 do Café com Negócios discutindo esse tema. No dia 17 de março, às 8h, na Faculdade Insted, reuniremos especialistas que vivem o tema na prática. Entre eles está Bruno Gouvea Bastos, superintendente de Administração Tributária da Secretaria de Estado de Fazenda e Rodrigo Sartorio, diretor executivo de produtos da TOTVS. A mediação do debate será conduzida pelo Dr. João Ricardo, doutor e mestre em Direito Tributário, e, ampliando o diálogo para o ambiente empresarial, o painel contará ainda com o advogado Eduardo Marques e Adriana Cândido, CEO da ELOO Contabilidade Consultiva.
Quando reunimos profissionais de áreas diferentes, como governo, tecnologia, direito e contabilidade, conseguimos enxergar algo que muitas vezes passa despercebido: a Reforma Tributária não é apenas um tema jurídico ou contábil. Ela impacta a forma como as empresas operam, tomam decisões e planejam crescimento. Em outras palavras, não é apenas uma mudança de regra, é uma mudança de lógica.
E talvez seja justamente esse o ponto mais importante. Em um cenário de transformação, a diferença entre quem sofre o impacto e quem aproveita a oportunidade está no nível de informação e preparação. Empresas que acompanham o debate, entendem os caminhos da Reforma e ajustam seus processos com antecedência conseguem atravessar mudanças com muito mais segurança.
O Café com Negócios nasceu para estimular exatamente esse tipo de conversa. Porque, no mundo dos negócios, informação não é apenas conhecimento, é direção. E em tempos de transformação, direção faz toda a diferença.
Espero você na terça-feira, às 08h, na Faculdade Insted, para aprendermos juntos sobre esse tema que impactará a todos nós. Garanta o seu convite aqui: https://www.sympla.com.br/evento/cafe-com-negocios-reforma-tributaria-sua-empresa-esta-preparada/3148296
Até mais!
















