A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP 15) foi aberta oficialmente na manhã desta segunda-feira (23), em Campo Grande, com discurso de autoridades brasileiras e internacionais que defenderam cooperação global e maior protagonismo do Brasil na agenda ambiental.
Na sequência da cerimônia, uma coletiva de imprensa reuniu a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e atual presidente da COP 15, João Paulo Capobianco, e a secretária-executiva da Convenção sobre Espécies Migratórias, Amy Fraenkel. Também participaram a secretária-geral adjunta das Nações Unidas e diretora executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Elizabeth Mrema, e a chefe de Conservação da Natureza do PNUMA, Kelly Malsch.

Brasil quer ampliar adesão e financiamento
Capobianco afirmou que o Brasil pretende usar a presidência da conferência para ampliar a participação de países e fortalecer o financiamento internacional para a conservação ambiental. Segundo ele, a atuação brasileira não se encerra com o evento.
“O Brasil presidirá por três anos e nós temos um compromisso de colaborar com a convenção em três frentes: aumentar a adesão, ampliar recursos e avançar na produção de conhecimento científico”, disse.
Ele também destacou que o país pretende atuar com propostas concretas durante as negociações e anunciou a criação de uma linha de financiamento para pesquisas sobre espécies migratórias.
Marina diz que Brasil quer “liderar pelo exemplo”
Durante a coletiva, Marina Silva afirmou que o país busca protagonismo com base em resultados recentes na área ambiental. “O Brasil decidiu liderar pelo exemplo”, disse.
A ministra citou a ampliação de áreas protegidas e a redução de indicadores ambientais como evidências dessa estratégia. Segundo ela, a preservação das espécies migratórias depende de ações integradas.
“As espécies migratórias só sobrevivem se tivermos um trabalho conjunto. Não é apenas proteger habitats, mas criar consciência de que aquilo que é de todos também precisa ser cuidado”, afirmou.
Questionado sobre o papel de populações indígenas e comunidades tradicionais, Capobianco afirmou que houve esforço para garantir participação desses grupos no evento. Segundo ele, cerca de 30 lideranças foram trazidas ao encontro com apoio institucional.
Marina Silva destacou que políticas públicas têm buscado ampliar a proteção dessas populações. “Hoje há uma compreensão de que as populações tradicionais são fundamentais para a proteção da biodiversidade”, afirmou.
A ministra também mencionou ações como pagamento por serviços ambientais e programas de combate ao desmatamento e à violência em territórios indígenas.
Expectativa de acordos e base científica
A secretária-executiva da convenção, Amy Fraenkel, afirmou que a COP 15 deve avançar na adoção de novas medidas de proteção com base científica. Segundo ela, as propostas discutidas já passaram por análises técnicas.
Fraenkel destacou que a conferência reúne governos, cientistas e organizações internacionais para discutir a conservação de espécies que atravessam fronteiras. “Essas espécies conectam ecossistemas e exigem cooperação global para sua proteção”, afirmou.
Negociações seguem até o dia 29
A COP 15 segue até o próximo dia 29, com reuniões técnicas e negociações entre delegações de diversos países. A expectativa é que o encontro avance em compromissos internacionais voltados à proteção de espécies migratórias e seus habitats.




















