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A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) manifestou em nota a preocupação com o avanço de restrições impostas por mercados internacionais à carne brasileira, após o governo do México anunciar limites para a importação de carne bovina e suína com tarifa zero. Para a entidade, a medida reforça uma tendência de fechamento de mercados que pode afetar diretamente países exportadores competitivos, como o Brasil.

Na segunda-feira (5), o governo mexicano publicou duas resoluções que criam cotas para a importação desses produtos sem imposto. Até então, empresas do país podiam importar carnes do exterior com tarifa zero, independentemente do volume. Com a mudança, o que ultrapassar os limites estabelecidos passará a ser tributado.

A Acrissul avalia que a decisão do México se soma a movimentos semelhantes adotados recentemente por outros grandes mercados, como Estados Unidos, Japão e China. Segundo a entidade, embora cada país apresente justificativas próprias, o conjunto das medidas sinaliza maior proteção às produções nacionais. “Trata-se de uma medida que afeta diretamente países exportadores competitivos, como o Brasil, e que não pode ser tratada como um episódio isolado”, afirmou a associação.

De acordo com as novas regras, o México poderá importar até 70 mil toneladas de carne bovina sem tarifa. O volume que exceder esse limite será taxado em 20%. Para a carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas, e o excedente pagará tarifa de 16%. As medidas valem até 31 de dezembro deste ano.

Nas resoluções, o governo mexicano afirma que as cotas foram criadas para manter o “equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional”. A isenção de imposto estava prevista no Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), política criada em 2022 para conter o aumento dos preços dos alimentos e prorrogada neste ano, mas com a inclusão de cotas e tarifas para diversos produtos.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as cotas são direcionadas a países de fora da América do Norte e que não possuem acordo comercial com o México. “A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia”, informou a entidade. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que aguarda orientações do governo mexicano sobre a forma de distribuição das cotas.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que, de janeiro a novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo principal produto exportado pelo Brasil ao México, enquanto a carne suína ocupou a décima posição. No mesmo período, o México foi o quinto maior comprador da carne bovina brasileira e o sétimo maior destino da carne suína, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura.

Em nota, a Acrissul afirma que “não é mais possível assistir passivamente à adoção reiterada de barreiras comerciais sem uma resposta institucional clara do Estado brasileiro”. Para a entidade, “é fundamental que o governo federal se posicione de forma firme, tanto no campo diplomático quanto no comercial, defendendo os interesses da produção nacional”.

A preocupação do setor ocorre poucos dias após a China, maior compradora de carne bovina brasileira, também anunciar limites às importações. O país asiático criou cotas anuais para empresas importarem carne de fornecedores estrangeiros. Atualmente, a tarifa é de 12%, mas o volume que exceder as cotas passará a pagar sobretaxa de 55%. As medidas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terão duração de três anos.

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