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O Brasil já soma mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e caminha para se tornar o quinto país com maior população idosa do mundo. Esse público movimenta cerca de R$ 2 trilhões na economia, segundo estudo da consultoria Data8, e impulsiona o crescimento da chamada economia prateada.

O termo faz referência tanto ao consumo quanto ao empreendedorismo protagonizado por pessoas mais velhas. Para atender a esse público, empresas têm adaptado produtos, serviços e ambientes. Entre as demandas estão melhor iluminação, sinalização visível, acessibilidade, atendimento mais atento e processos de compra simplificados.

A economia prateada também avança no campo do empreendedorismo. O Brasil soma atualmente 4,5 milhões de empreendedores com 60 anos ou mais, número que cresceu 58,6% na última década, de acordo com o Sebrae Nacional.

A gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac, afirma que negócios que se ajustam a essas necessidades tendem a ganhar preferência. “Eu acho que a Economia Prateada reflete a transformação estrutural da sociedade brasileira. Os empreendimentos que compreenderem essa mudança e desenvolverem produtos alinhados a essa realidade, não apenas vão acessar o mercado de expansão, mas também contribuirão para o modelo de desenvolvimento mais inclusivo, sustentável e conectado à longevidade”, diz.

Segundo ela, o crescimento do empreendedorismo nessa faixa etária está ligado ao desejo de permanecer ativo. “Existe uma possibilidade de carreira, de continuidade. Tenho visto que as pessoas de 60 anos se identificam com um propósito. Elas querem algo que tenha a ver com a sua experiência, mas que resolva também problemas da comunidade”, aponta.

Entre os segmentos com maior potencial, destacam-se saúde e bem-estar, como academias com treinos adaptados e foco na funcionalidade. Também ganham espaço serviços de telemedicina, monitoramento remoto e a atuação de cuidadores, que podem se formalizar como microempreendedores individuais.

O turismo e lazer voltados ao público 60+ também aparecem como oportunidade, sobretudo com pacotes fora da alta temporada e roteiros culturais. No setor financeiro, cresce a procura por planejamento voltado à aposentadoria ativa. Já na habitação, aumentam as demandas por adaptações que garantam acessibilidade e conforto.

Outro movimento em expansão é o uso do comércio eletrônico por consumidores mais velhos. Apesar do avanço, especialistas apontam a necessidade de ampliar o engajamento digital desse público, que ainda figura entre os mais vulneráveis a golpes. Com isso, cresce também a oferta de cursos de tecnologia voltados à terceira idade.

No campo do empreendedorismo, iniciativas voltadas ao público sênior ganham espaço. O microempreendedor João Lopes criou, em junho de 2024, a empresa Mel Mania após buscar orientação no Sebrae-RJ. O negócio é voltado majoritariamente para consumidores com mais de 60 anos.

“O meu público é totalmente 60+. Eu tenho um cliente com 84 anos que compra mensalmente, como se fosse uma assinatura. A família toda consome, mas ele é a porta de entrada”, diz.

Além da venda de mel para todo o país, a empresa capacita gratuitamente pessoas com espaços ociosos para produção. O empreendedor fornece equipamentos, suporte e compra a produção dos parceiros. Atualmente, 112 pessoas foram inseridas na apicultura por meio da iniciativa.

“Depois que eu passei pelo Sebrae, descobri que sou empreendedor social, porque o meu negócio gera impacto positivo na sociedade. Quem compra o meu mel sabe que está gerando renda para as pessoas”, afirma.

No Rio de Janeiro, o Sebrae mantém um projeto voltado à capacitação de pessoas com mais idade que desejam empreender. O programa Economia Prateada está na terceira edição e já atendeu 144 participantes. Em 2025, a iniciativa alcançou 869 mil pessoas em todo o país, e a meta para 2026 é chegar a 1 milhão.

A maioria dos participantes é formada por mulheres, com atuação em áreas como gastronomia, economia criativa, artesanato, moda, beleza e serviços.

A gestora do projeto, Juliana Lima, afirma que o perfil do idoso mudou nos últimos anos. “Hoje ele não fica mais em casa, como antigamente. São ativos, viajam, namoram, estudam, estão preocupados com a beleza, em viver bem”, diz.

O avanço da economia prateada também está ligado às transformações demográficas. A expectativa de vida no Brasil passou de 62,6 anos em 1980 para 76,4 anos em 2023, o que impacta diretamente o mercado de trabalho.

Atualmente, cerca de um quinto da população em idade para trabalhar é composta por pessoas com 60 anos ou mais, segundo estudo da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Janaína Feijó.

Segundo ela, o envelhecimento da população exige mudanças no mercado. “Ao contrário de estereótipos antigos que associavam o envelhecimento à inatividade ou à dependência, a Geração Prateada é marcada por um perfil mais saudável, engajado e consumidor”, destaca.

A pesquisadora aponta que parte desse público permanece no mercado por necessidade de renda, enquanto outra parcela busca manter-se ativa. Ela ressalta ainda que o etarismo é um dos principais obstáculos para a permanência dos mais velhos no trabalho.

“O que acontece no Brasil é que a população está envelhecendo e não dispõe de jovens para repor essa mão-de-obra, que está envelhecendo. Se a gente não contar com a mão-de-obra 60+, no fim das contas, a gente está prejudicando o crescimento econômico do país”.

Dados indicam que, em outubro do ano passado, os empreendedores com mais idade representavam 16% do total de donos de negócios. A tendência é de crescimento, acompanhando o envelhecimento da população e a mudança no perfil de consumo no país.

*com informações e imagem: Agência Brasil

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