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A expectativa do mercado financeiro para a inflação voltou a subir e acendeu um novo alerta sobre os rumos da economia brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central do Brasil, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,31% para 4,36% neste ano, a quarta alta consecutiva.

Apesar da elevação, a estimativa ainda permanece dentro do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece um limite máximo de 4,5%.

A revisão ocorre em meio a um cenário internacional mais instável, marcado pelas tensões no Oriente Médio, que pressionam preços de combustíveis e cadeias de produção. No mercado, cresce a percepção de que esses fatores externos podem dificultar o processo de desaceleração da inflação ao longo do ano.

Pressão recente e expectativa para março

Os dados mais recentes mostram sinais mistos. Em fevereiro, o IPCA registrou alta de 0,7%, puxado principalmente pelos setores de transportes e educação. Ainda assim, no acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Agora, investidores aguardam a divulgação do índice de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, prevista para quinta-feira (9), que deve indicar os primeiros impactos mais diretos do cenário internacional sobre os preços.

Juros sob cautela diante de incertezas

Para conter a inflação, o principal instrumento do Banco Central é a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária optou por um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual, sinalizando cautela diante do ambiente externo.

Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, parte do mercado esperava uma redução mais agressiva, de 0,5 ponto. Agora, cresce a possibilidade de o ciclo de queda dos juros ser mais lento, ou até interrompido, caso as pressões inflacionárias persistam.

A projeção atual do Focus indica que a Selic deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano, com trajetória de queda gradual nos anos seguintes.

Crescimento segue limitado

Enquanto a inflação preocupa, o crescimento econômico segue moderado. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 1,85%, indicando uma economia em ritmo lento.

O contraste é com 2025, quando o país cresceu 2,3%, resultado impulsionado principalmente pela agropecuária, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Para os próximos anos, o mercado projeta expansão próxima de 2%, patamar considerado insuficiente para uma recuperação mais robusta da atividade econômica.

Dólar mais alto no radar

O câmbio também segue pressionado. A expectativa é de que o dólar feche 2026 cotado a R$ 5,40, com leve alta para R$ 5,45 em 2027.

A valorização da moeda norte-americana tende a impactar diretamente a inflação, já que encarece produtos importados e insumos industriais, criando mais um desafio para o Banco Central no controle dos preços.

Cenário de equilíbrio delicado

Com inflação próxima do teto da meta, juros ainda elevados e crescimento moderado, o Brasil entra em 2026 diante de um cenário de equilíbrio delicado. O comportamento da economia global, especialmente os desdobramentos no Oriente Médio, deve ser determinante para definir os próximos passos da política monetária e o ritmo da atividade no país.

Com informações e imagem da Agência Brasil

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