Relatório da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul aponta recuperação do consumo e alerta para impacto da alta de 17,3% na energia elétrica sobre custos do setor
O varejo ampliado de Mato Grosso do Sul voltou a crescer em 2025, após dois anos consecutivos de retração. Segundo o Termômetro do Varejo, divulgado em fevereiro pela FCDL-MS, o setor registrou alta de 2,5% no ano passado em comparação com 2024. O resultado interrompe a sequência negativa e indica recomposição gradual das perdas acumuladas nos anos anteriores.
O varejo ampliado reúne o comércio varejista tradicional e segmentos como venda de veículos, motocicletas e materiais de construção. Apesar de o avanço ser considerado moderado, a entidade avalia que há tendência de continuidade no movimento de recuperação ao longo de 2026.
O desempenho do mercado de trabalho reforça o cenário de retomada. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o Estado encerrou 2025 com saldo positivo de 19,8 mil vagas formais. O número supera o registrado em 2024 e foi puxado principalmente pela construção civil, que criou 5.873 postos. Em seguida aparecem serviços, com 4.835 novas vagas, e comércio, com 3.258.
Para o setor varejista, a ampliação do emprego formal tende a impulsionar o consumo. Com maior estabilidade de renda, cresce a capacidade de compra das famílias, o que pode sustentar o avanço das vendas ao longo do ano.
No campo da inflação, o IPCA acumulado em 12 meses até janeiro de 2026 ficou em 3,6% em Campo Grande, abaixo da média nacional de 4,4% no mesmo período. O índice mais baixo favorece a recuperação do poder de compra, mas o relatório destaca pressões relevantes em itens essenciais.
O grupo “Habitação” apresentou a maior variação, impulsionado pelo aumento de 17,3% no preço da energia elétrica no Estado. A alta impacta tanto o orçamento das famílias quanto os custos operacionais do comércio, sobretudo em estabelecimentos com maior consumo energético.
Por outro lado, o grupo “Alimentação e bebidas” registrou deflação de 0,2%, funcionando como fator de compensação para o orçamento doméstico.
Enquanto varejo e serviços mostraram expansão – este último com crescimento de 5,4% – a indústria sul-mato-grossense apresentou recuo de 12,9% na produção ao longo de 2025. O dado indica que a recuperação econômica ocorre de forma desigual entre os setores produtivos.
Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, os números revelam capacidade de reação do empresariado local, mas exigem cautela na gestão financeira. Segundo ela, o crescimento de 2% nas vendas do varejo ampliado na comparação anual e o saldo positivo de empregos são sinais consistentes de retomada, porém o aumento acumulado da energia elétrica pressiona as margens.
“O saldo positivo de empregos e o faturamento do campo nos dão confiança, mas o empresário precisa monitorar de perto suas margens de contribuição para enfrentar os custos fixos que ainda pressionam o setor”, afirmou.
O relatório completo do Termômetro do Varejo de fevereiro de 2026 reúne dados sobre vendas, emprego, crédito, inflação, atividade econômica e comércio exterior no Estado.
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