Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro trimestre de 2026 com superávit na balança comercial e exportações que somaram US$ 2,51 bilhões entre janeiro e março. Apesar de leve queda de 1,66% em relação ao mesmo período de 2025, o volume exportado cresceu 11,83%, atingindo 6,82 milhões de toneladas.
Os dados constam na Carta de Conjuntura do Setor Externo, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
No mesmo período, as importações chegaram a US$ 751,58 milhões, com alta de 10,10% na comparação anual. Com isso, o saldo da balança comercial ficou positivo em US$ 1,76 bilhão, embora 5,93% inferior ao registrado no ano passado.
O desempenho reflete, principalmente, a força do setor agropecuário, que apresentou crescimento tanto nos preços (11,11%) quanto no volume exportado (11,41%). Segundo o secretário da Semadesc, Artur Falcette, o cenário internacional tem influenciado os resultados. “O resultado reflete um cenário internacional de pressão sobre preços de commodities, associado à elevada oferta global e à instabilidade geopolítica, que tem limitado o crescimento do valor exportado, apesar do aumento do volume embarcado”, afirmou.
A pauta exportadora segue concentrada em produtos do agronegócio. A soja lidera, com 28,32% de participação, seguida pela celulose (27,41%) e pela carne bovina (19,38%). Também aparecem com relevância o farelo de soja, carnes de aves e milho.
Entre as importações, o gás natural ocupa a primeira posição, com 24,21% do total, seguido por caldeiras de geradores de vapor (16,74%) e álcoois e derivados (9,65%). No trimestre, a soja voltou a ocupar o posto de principal produto exportado do estado, enquanto o gás natural retomou a liderança entre os itens importados.
A China permanece como principal destino das exportações sul-mato-grossenses, com 44,84% de participação. Na sequência aparecem Estados Unidos (8,58%), Países Baixos (4,35%) e Itália (3,0%). Apesar do cenário externo, houve aumento na participação dos Estados Unidos nas compras em relação ao mesmo período do ano anterior.
O escoamento da produção segue concentrado nos portos do Sul e Sudeste. O Porto de Paranaguá responde por 40,83% das exportações, seguido pelo Porto de Santos (38,27%) e por São Francisco do Sul (9,37%).
Entre os municípios, Três Lagoas lidera as exportações, com 18,94% do total, seguida por Ribas do Rio Pardo (12,01%), Dourados (9,87%) e Campo Grande (7,59%).
Na análise por setores, a indústria de transformação apresentou queda nos preços (-3,0%) e no volume exportado (-2,68%). Já a indústria extrativa registrou forte recuo nos preços (-45,29%), mas aumento expressivo no volume (42,36%). Além da agropecuária, o grupo de outros produtos também teve desempenho positivo, com alta de 7,16% nos preços e de 34,97% no volume.
A cotação média do dólar em março de 2026 foi de R$ 5,23, com leve alta de 0,59% em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2025, houve queda de 8,96%.
A série histórica indica que Mato Grosso do Sul mantém superávits comerciais desde 2015, com exportações superiores às importações, impulsionadas principalmente por commodities agrícolas e produtos industriais.
*Informações: Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc
Foto de capa: Chico Ribeiro/Arquivo





















