Posso estar equivocada, mas acredito que a cultura maléfica do “jeitinho brasileiro” muito contribuiu para que não nos tornássemos uma nação mais séria, mais comprometida com valores essenciais para a produção de riquezas – no sentido mais amplo da palavra – em todas as áreas de nossa sociedade.
Esse jeito de viver “Deixa a vida me levar” – título de um samba de sucesso brasileiro – dificilmente levará uma pessoa a descobrir e explorar todo o seu potencial de criatividade, de produção e de realização. É como afirmou Sêneca, pensador espanhol: “Nenhum vento é favorável para quem não sabe para que porto está indo”. O conformismo é o último passo rumo ao fracasso.
Pensando sobre isso, quero compartilhar sobre a força silenciosa da rotina. Essa importante ferramenta deve caminhar de mãos dadas ao planejamento pessoal, familiar e profissional. Precisamos viver e pautar as nossas ações diárias com intencionalidade na certeza de “aonde” e “como” desejamos chegar.
Compreendo a rotina como uma sequência de ações planejadas que nos exige esforço e intencionalidade. Ela contribui para uma melhor organização do nosso dia a dia, diminuindo assim, os níveis de ansiedade e estresse. É uma poderosa ferramenta que nos auxilia na estruturação de nossos afazeres diários. Outro aspecto positivo da rotina é a melhoria de nossa produtividade, pois ela gera previsibilidade. Na essência, a rotina se resume em duas palavras “quando” e “como” vamos realizar determinadas ações e tarefas no nosso cotidiano.
Numa sociedade acelerada e imprevisível na qual vivemos hoje, falar em rotina pode parecer algo rígido ou até limitante, como o é falarmos em planejamento. Porém, esta é uma das ferramentas mais poderosas de organização, segurança emocional e desenvolvimento cognitivo. Distante de “engessar a vida”, uma rotina bem construída proporciona um terreno estável onde aprendizados e relações sociais se tornam mais leves e saudáveis.
A previsibilidade é um dos maiores benefícios da rotina. No ambiente familiar quando a criança sabe o que esperar ao longo do dia, como: horário para acordar, ir para a escola, brincar, fazer os deveres escolares, comer e dormir – ela sente mais segura. Essa segurança reduz a ansiedade liberando energia mental para a realização de tarefas mais complexas, como aprender conteúdos escolares mais aprofundados ou desenvolver outros tipos de habilidades. Na prática, significa maior foco em sala de aula, maior retenção de informações e mais autonomia na realização de tarefas não só escolares, mas aquelas combinadas em família ou em outros grupos sociais dos quais venha a fazer parte.
Pesquisas no campo da educação apontam que estudantes que têm horários regulares de estudo e sono apresentam melhores resultados acadêmicos. O cérebro precisa de repetição e consistência para que o conhecimento se consolide e, a rotina proporciona exatamente isso. Um horário fixo para realização das tarefas escolares – por exemplo – facilita a concentração tornando o estudo um habitus saudável, não uma obrigação.
Quando a família opta por essa ferramenta, a rotina, ela passa a atuar como um organizador invisível diminuindo assim os conflitos do dia a dia. Em vez de negociações constantes, os acordos já foram previamente estabelecidos. Cada membro da família passa a ter consciência de seus direitos e obrigações. Isso reduz o estresse como também ensina, na prática, noções importantes como responsabilidade, disciplina, autonomia e gestão do tempo.
É necessário se ter clareza de que rotina não significa rigidez extrema. A flexibilidade e a parceria em família são fundamentais para a construção dessa estrutura básica que proporciona equilíbrio no ambiente escolar. Essa construção conjunta é um investimento no bem-estar familiar que proporcionará a todos os seus membros algo que tem se tronado raro e valioso em meio a tantas incertezas de nossa sociedade – a estabilidade em todas as áreas da vida.















