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MIRIAM ABREU

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Para além de qualquer clichê, a educação e a família são a base de qualquer sociedade. Não existe desenvolvimento sustentável em uma nação sem que a educação de qualidade seja estabelecida como prioridade para todos os seus cidadãos.

Pesquisas como a da Revista Eletrônica Tributo Municipal apontam que o Brasil está entre os 10 países no mundo com maior carga tributária e o mais revoltante é que o Brasil lidera o ranking de países com pior retorno dos tributos à população. Alguma novidade?!

É notório para qualquer brasileiro que “pensa” que temos sido usurpados, por décadas e décadas, quanto aos nossos direitos como cidadãos por nossos governantes em todos os níveis.

Os eventos climáticos nos últimos meses têm revelado de forma contundente o que já sabíamos: a completa ausência de infraestrutura em todas as nossas cidades brasileiras. Sabemos que cada elemento que compõe a infraestrutura de um país, de um Estado ou de uma cidade é parte da “espinha dorsal” que garante dignidade, saúde, educação, segurança, mobilidade de pessoas e movimentação de mercadorias. Isso tudo somado a outros fatores como a valorização de quem produz e que gera a riqueza de uma nação. Em contrapartida, a opressão via cargas tributárias elevadas sem retorno de benefícios a seu povo gera pobreza e indignidade a um país.

Diante desse panorama caótico como nação, a educação brasileira não poderia estar entre as melhores classificadas internacionalmente. Muito pelo contrário, estamos muito próximos dos últimos colocados. Confira alguns desses dados na coluna “ENEM – O que essa avaliação tem nos revelado”

Além dos índices da coluna acima a que me referi, o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, apresentou o Relatório Luz 2025. O seu objetivo é monitorar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Este aponta que o Brasil, por mais um ano, não cumpriu as metas estabelecidas pela ONU. Essas metas têm se mantido por 3 a 6 anos em retrocesso (4), Outras (4) após saírem do retrocesso, voltaram a ser classificadas como ameaçadas, podendo cair novamente, e as demais foram classificadas como estagnada (1) e insuficiente (1). Ou seja, nesta primeira década da Agenda 2030, o Brasil não cumpriu nenhuma das metas.

Como não bastasse todos esses índices negativos quanto à educação brasileira, conforme o censo escolar de 2024 divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), 63,2% das escolas brasileiras não têm sequer uma biblioteca ou um espaço adequado para leitura. Em plena era digital, 58,5% não têm acesso à internet, 70,4% das escolas não contam com laboratório de informática e tantos outros.

Quando olhamos para questões básicas como: água, luz e esgoto, encontramos números alarmantes de escolas que não são assistidas com água potável, banheiros, esgoto sanitário e energia. Quantas funcionam em espaços sujeitos a ruírem a qualquer momento. E muitas dessas escolas não estão somente na área rural.

Perguntas que não querem calar: como uma criança, um adolescente aprende em circunstâncias como essas? Que motivação existe para a permanência num ambiente como esse? Que condições o professor tem para desenvolver o seu trabalho e manter sua saúde física, financeira e mental em tais ambientes?

Em espaços insalubres como esses, que não são poucos em nosso país, falta tudo. Falta dignidade, falta saúde, falta material, falta até a esperança de que algum dia alcançaremos o nível de uma educação de qualidade e que teremos gestores públicos que primem por valores e princípios fundamentais a uma sociedade saudável.

Há pouco tempo muitos ficaram estarrecidos com os resultados das avaliações dos acadêmicos de medicina em nosso país. No entanto, precisamos fazer uma leitura mais aguçada sobre o assunto, pois já há algumas décadas que o analfabetismo funcional se instalou em nossa nação.

Como professora alfabetizadora, eu sou do tempo em que uma criança no primeiro ano escolar era realmente alfabetizada e que aquela que, por alguma razão, não conseguia avançar era retida para que a sua base fosse reforçada.

Eu vivi para ver alunos do ensino fundamental e médio chegando ao colégio onde atuei por vários anos como orientadora educacional, sem saber resolver questões básicas que envolviam conhecimentos matemáticos e produção de texto. Claro que a leitura, compreensão e interpretação de texto não existiam. Quantas orientações aos alunos, aos professores, às famílias…Muito investimento! O aluno precisava investir muito tempo e esforço para superar os déficits pedagógicos de uma alfabetização não efetivada no tempo adequado. Chegavam de vários estados brasileiros. Isso não faz muito tempo e, com certeza, os meus colegas que ali estão continuam a enfrentar tal situação.

O meu afeto a todos os educadores desse país que AINDA não compreenderam o valor da educação e do educador.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Miriam Abreu

Miriam Abreu

É doutora e mestre em Educação pela (UFMS). Especialista em Orientação Educacional e Psicopedagogia pela (UFRRJ/CEP-EB). Pedagoga habilitada em Orientação Educacional (FUCMT)  e Supervisão Escolar (Faclepp). Consultora Educacional, palestrante e escritora. | @miriam_abreu65

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