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MIRIAM ABREU

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A cada novo ano é como se o relógio zerasse o nosso tempo dando-nos a oportunidade de recomeços, de avanços, de novas expectativas, de projetos novos, etc. A questão é: o que fazermos com essas oportunidades?!

Aqueles da geração NOLT – “New Older Living Trend”, nova tendência ao se referir às pessoas com mais de 60 ou 70 anos, hão de concordar comigo que profundas mudanças e evoluções aconteceram e têm acontecido nas últimas décadas em nossa sociedade. Porém, muitas dessas, por falta de conhecimento, decisão, posicionamento e discernimento têm levado famílias a um declínio sem precedentes.

Percebo que o grande apelo por liberdade tem feito com que muitos pais se rendam a uma educação familiar do “o que é que tem? Os meus amigos fazem”. Jamais devemos nos esquecer de que liberdade nos traz responsabilidades e que todo bônus traz consigo o seu ônus.

Portanto, janeiro deve ser um mês de preocupação não apenas com a escolha de escolas para os filhos, matrículas, uniformes e material escolar, mas sim, com as prioridades muitas vezes invisíveis aos olhos da família, que proporcionarão bons resultados escolares.

O início do ano é o momento propício para se definir as prioridades da família, rever os habitus que não têm proporcionado bons resultados à vida escolar e relacional dos filhos. É momento de se firmar acordos em família. Lembrando que as crianças e os adolescentes precisam crescer tendo a clareza de “quem são os adultos da casa”, ou seja, quem são as autoridades no contexto familiar. Se essa ordem for invertida, com certeza, os que determinarão a dinâmica familiar serão os filhos e, consequentemente essas atitudes refletirão no ambiente e nos resultados escolares. Necessário é termos a clareza de que autoridade não é autoritarismo.

Outro aspecto a ser observado é a organização da rotina familiar. Toda estrutura gera segurança e leveza. É importante que se estabeleça horários para dormir, acordar e estudar; os filhos precisam ter um local adequado para estudar que seja arejado, bem iluminado e organizado; estabelecer um equilíbrio entre estudo, lazer e descanso. Lembre-se que a rotina não aprisiona, muito pelo contrário, ela educa e cria previsibilidade. Favorece a disciplina e a organização.

A família é responsável por ensinar aos filhos de que o estudo é responsabilidade e não punição. Eu costumo usar a seguinte afirmação: “Estudar não é a atividade mais prazerosa da vida, mas é uma das mais essenciais”. Para isso, evite o estudo como castigo; não use de recompensas excessivas para tarefas que são básicas e de responsabilidade dos filhos. É importante lembrar o que o professor e doutor Sérgio Cortella diz: “A vaca não dá leite”. Absolutamente nada nesta vida vem de graça; ensinar que estudar é parte da responsabilidade de ser estudante é essencial.

A família precisa compreender que acompanhamento escolar é uma presença que educa. Demonstre interesse genuíno pela aprendizagem de seus filhos, procure saber se está conseguindo aprender ou quais são suas dificuldades, sejam elas emocionais ou cognitivas. Estabeleça uma escuta ativa, fortaleça os vínculos. Como orientadora educacional por vários anos, percebi que a ausência familiar costuma ser confundida com dar autonomia aos filhos, quando na verdade é abandono pedagógico.

Lembrando que dar exemplo deve ser uma prioridade silenciosa, porém decisiva. Pais que leem, organizam-se e cumprem compromissos costumam educar sem discurso. O cotidiano educa mais do que severas e contínuas cobranças. A família educa ou deseduca o tempo todo, inclusive quando acredita que não está educando ou deseducando.

Há duas questões muito importantes a serem respondidas também: queremos boas notas, boletins impecáveis ou uma aprendizagem sólida? Estamos formando cidadãos autônomos e responsáveis ou apenas cidadãos obedientes? Precisamos focar no desenvolvimento integral dos filhos, no processo e não somente no desempenho quanto as notas. A nota sempre será uma consequência do movimento familiar em relação a educação dos filhos.

E por fim, a família precisa ter a clareza de que a relação família x escola deve ser vista não como disputa, mas sim, como parceria. Embora as funções sejam diferentes, ambas caminham na mesma direção. Jamais desautorize o professor de seus filhos na frente deles. Busque o diálogo com a coordenação pedagógica e o professor para compreender o que está acontecendo. Não transfira toda a responsabilidade educativa para a instituição escolar.

Lembre-se sempre do que o saudoso Içami Tiba dizia: “Quem ama educa”. Que assim seja!

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