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MIRIAM ABREU

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A linguagem é uma ferramenta poderosa que pode tanto nos libertar quanto nos aprisionar. Essa afirmação é mais do que um simples jogo de palavras; é uma realidade que impacta profundamente nossas vidas e, especialmente, a vida de nossas crianças e adolescentes.

Sabemos que desde a nossa concepção absorvemos o impacto das palavras que nos são ditas, dos sentimentos que nos são transmitidos e do ambiente no qual construímos as nossas trajetórias. Portanto, é crucial que estejamos atentos ao que falamos e ouvimos.

Nossas declarações podem moldar a autoestima de uma criança ou adolescente, impactando de forma positiva ou negativa na aprendizagem e nos relacionamentos sociais. É fundamental termos a clareza de que existe uma linha muito tênue entre o emocional e a aprendizagem e, na maioria das vezes, essas linhas se entrecruzam.

Por anos, como orientadora educacional, atendendo estudantes com dificuldades de aprendizagem e suas respectivas famílias, pude confrontar a teoria com uma triste realidade. Muitas crianças e adolescentes estão com seu cognitivo travado por vivenciarem em suas famílias ambientes tóxicos quanto à linguagem e falta de afetividade.

É essencial que estejamos atentos ao que falamos e ao que declaramos em relação às nossas crianças e adolescentes, pois através de nossa língua podemos construir ou destruir trajetórias de vida.

Desde os primeiros anos de vida, as crianças estão em um processo constante de formação de identidade. Elas aprendem sobre si mesmas e sobre o mundo ao seu redor através das interações com os adultos. Segundo a neurocientista doutora Rosana Alves, as palavras que usamos têm um impacto direto no desenvolvimento cerebral das crianças. Quando uma criança ouve repetidamente que não é capaz, seu cérebro começa a internalizar essa mensagem. Isso pode desencadear uma série de problemas emocionais e cognitivos. Palavras de incentivo e apoio promovem a autoestima e a confiança enquanto que críticas constantes e negativas podem levar a sentimentos de inadequação, insegurança e consequente dificuldade de aprendizagem.

O terapeuta Léo Fraiman reforça essa ideia ao afirmar que nossas palavras e atitudes têm um impacto poderoso no desenvolvimento das crianças e adolescentes. Sendo assim, uma educação baseada no respeito e amor é fundamental para o crescimento saudável de crianças e adolescentes, tornando-os jovens e adultos saudáveis e realizados em todas as áreas de suas vidas.

Além disso, Fraiman destaca que as palavras não apenas moldam a percepção que a criança tem de si mesma, mas também influenciam suas relações sociais. Quando uma criança é constantemente criticada, ela pode desenvolver um comportamento de “evitação”, afastando-se de situações que exigem interação social ou aprendizado. Essa “evitação” pode resultar em um ciclo vicioso, onde a falta de interação leva a mais dificuldades de aprendizagem.

Portanto, quando rotulamos uma criança como “burra” ou “preguiçosa”, estamos, na verdade, reforçando comportamentos negativos e limitando seu potencial de aprendizado.

Desta forma, podemos afirmar que existe uma importante conexão entre aprendizagem e emoção saudável. Claro que não podemos olhar somente para esse aspecto. Existem outros fatores que contribuem para a existência de uma dificuldade de aprendizagem ao longo da trajetória estudantil de uma criança ou adolescente. Porém, a linguagem utilizada no meio familiar é uma ferramenta determinante no processo de ensino e aprendizagem. Infelizmente, muitos estudantes enfrentam sérias dificuldades de aprendizagem devido a mensagens e modelos negativos vivenciados no ambiente familiar.

Em síntese, as palavras têm o poder de libertar ou aprisionar; elas produzem vida ou morte. Em Provérbios 18:21 (NVI – Nova Versão Internacional) encontramos a seguinte citação: “A língua tem o poder de vida e morte; quem a ama comerá do seu fruto.”

Portanto, como pais e educadores, temos a responsabilidade de utilizarmos a linguagem de forma consciente e positiva, promovendo o desenvolvimento saudável de nossos filhos e estudantes, pois o que semearmos, com certeza colheremos. Que sejam frutos muito bons.

Podemos construir um ambiente familiar e educacional que favoreça o aprendizado, a autoestima e o bem-estar emocional de todas as pessoas que fazem parte do mesmo. Nossos filhos precisam estar preparados para enfrentarem os desafios da vida com confiança e resiliência. Que assim seja!

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Miriam Abreu

É doutora e mestre em Educação pela (UFMS). Especialista em Orientação Educacional e Psicopedagogia pela (UFRRJ/CEP-EB). Pedagoga habilitada em Orientação Educacional (FUCMT)  e Supervisão Escolar (Faclepp). Consultora Educacional, palestrante e escritora. | @miriam_abreu65

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