Cerca de 80% das escolas de Mato Grosso do Sul amanheceram paralisadas nesta quarta-feira (23), em adesão à mobilização nacional convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A paralisação integra a 26ª Semana Nacional de Promoção e Defesa da Educação Pública e reúne pautas de alcance nacional e local, com destaque para a valorização dos profissionais da educação, a realização de concursos públicos e a rejeição à terceirização.
Na capital, professores, coordenadores e parlamentares se uniram em um ato público para expressar insatisfação com as políticas atuais do setor. A deputada estadual Gleice Jane (PT) destacou que a paralisação é um momento fundamental para repensar o modelo educacional em vigor. “Essa paralisação tem como objetivo também a gente debater as questões locais, como concurso público, como a gente contra as terceiras ações que estão a todo vapor no governo do estado”. Ela ainda ressaltou que o movimento busca reafirmar a posição dos educadores frente ao “modelo da terceira ação nas escolas”.
O professor de história Gêronimo de Moura, veio de Terenos reivindicar seus direitos, e afirma que a luta também é sobre privatização e a terceirização da educação. “A educação é um direito de todos e não é comércio. Então nós estamos lutando não só pelos professores, como também pela educação dos alunos também”.
O presidente da Associação Campo-grandense de Professores (ACP-MS), Gilvano Bronzoni enfatizou que a paralisação busca defender o investimento público nas escolas e combater a rotatividade causada por contratações temporárias. “Muitas vezes, quando o professor é temporário, ele acaba procurando outras situações e nós temos 3, 4, 5 professores numa mesma turma durante o ano. Isso perde qualidade, perde continuidade da educação”.
Além disso, ele destaca que as escolas de Campo Grande precisam de mudanças na infraestrutura. “Outro problema local aqui em Campo Grande é a climatização das salas de aula. Todas as repartições, lojas, empresas são climatizadas, não trabalham sem condicionado. E nós temos cerca de 40 alunos dentro de salas de aula, e com esse calor que aumenta a cada ano além de ser prejudicial à saúde, é muito prejudicial à qualidade de ensino”.
O deputado estadual, Pedro Kemp (PT) reforçou que o movimento também pressiona pela aprovação do novo Plano Nacional de Educação. “A gente quer que ele seja aprovado estabelecendo metas viáveis para que nos próximos anos a gente tenha uma educação pública de qualidade democrática”, disse. O parlamentar destacou ainda a importância de garantir investimentos federais, estaduais e municipais.
A realização de concursos públicos é uma das principais reivindicações da mobilização. A coordenadora pedagógica Niceia Silva reforçou a importância da estabilidade para a qualidade do ensino. “Precisamos dessa união para conquistar melhores condições de trabalho. O concurso público faz toda a diferença. Quando um trabalho pedagógico de excelência começa, muitas vezes o professor é substituído por ser contratado temporariamente. Isso impacta diretamente o aluno, que precisa de estabilidade emocional, física e financeira”.
Colaborou Fernanda Sá





















