Da gestão pública às ações cotidianas dentro de casa, a sustentabilidade precisa ser encarada como um compromisso coletivo. Essa é a avaliação da advogada e contadora Veridyana Fantinato, que atua há mais de duas décadas no setor público e defende a integração entre políticas públicas, governança e práticas sustentáveis.
Em entrevista à Total News, a especialista falou sobre sua trajetória profissional, os desafios de inserir critérios ambientais na administração pública e o papel da sociedade na construção de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado.
Natural de Campo Grande, Veridyana conta que iniciou a carreira no serviço público ainda aos 18 anos, após aprovação em concurso para o Detran-MS. Desde então, passou por diferentes órgãos estaduais e hoje atua no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, onde é chefe do setor de licitações e integra a Diretoria de Sustentabilidade.
“Eu sempre fui funcionária pública desde os meus 18 anos. Já passei por diversos órgãos do Estado e hoje estou no Tribunal de Contas, trabalhando com licitações e também com a pauta da sustentabilidade”, relatou.
Segundo ela, o interesse pela área surgiu ao longo da carreira, principalmente durante os estudos sobre agronegócio e regulação ambiental.
Veridyana possui graduação em Direito e Ciências Contábeis, MBA em Agronegócio, especializações em Direito Público, Licitações e Contratos Administrativos e atualmente cursa mestrado em Direito Público. Para ela, a sustentabilidade está diretamente ligada à construção de políticas públicas.
“Tudo começa na política pública, na legislação. Tratar a sustentabilidade como princípio constitucional significa garantir um meio ambiente equilibrado e direitos sociais para todos”, afirmou.
Sustentabilidade além do meio ambiente
Durante a entrevista, a especialista destacou que a sustentabilidade não se limita à proteção ambiental, mas envolve também aspectos sociais e de governança.
Entre os exemplos citados estão políticas de equidade de gênero nas empresas, inclusão de mulheres vítimas de violência no mercado de trabalho e geração de renda por meio da reciclagem.
“O quanto eu tenho equidade de gênero dentro de uma empresa? Não é só dar acesso ao trabalho, mas garantir que essa mulher esteja em cargos de liderança e com salários equiparados”, explicou.
Segundo ela, iniciativas desse tipo integram o conceito conhecido como ESG, que considera fatores ambientais, sociais e de governança nas estratégias institucionais.
Pequenas ações geram impacto coletivo
Para a especialista, uma das principais barreiras para a sustentabilidade é a percepção de que o tema está distante da vida cotidiana. Na avaliação dela, mudanças simples podem gerar impacto significativo quando adotadas em larga escala.
Entre as atitudes citadas estão separar resíduos recicláveis, economizar água e reduzir o consumo de energia. “Quando você começa dentro da sua casa a separar o plástico do vidro e do orgânico, isso já faz uma diferença enorme lá na ponta, na gestão desses resíduos”, disse.
Ela compara o processo a um mosaico formado por pequenas peças. “Eu vejo a sustentabilidade como um mosaico. Cada ação isolada parece pequena, mas quando todas essas peças se conectam, o resultado é gigantesco”.
Economia e sustentabilidade podem caminhar juntas
Outro ponto abordado foi a ideia, ainda comum em parte da sociedade, de que práticas sustentáveis geram apenas custos para empresas e governos.
Veridyana afirma que essa visão está ultrapassada e cita exemplos de instituições que conseguiram reduzir despesas ao adotar modelos de gestão ambiental.
Um dos casos mencionados é o do Hospital São Julião, em Campo Grande, que implantou um sistema de gestão de resíduos voltado ao conceito de “lixo zero”.
Segundo ela, a iniciativa reduziu significativamente o volume de materiais enviados ao aterro sanitário e ainda gerou receita com a reciclagem.
“Eles chegaram a destinar mais de 80% dos resíduos para reciclagem. Aquilo que antes seria lixo virou economia e até receita”.
Educação ambiental como desafio
Para a especialista, a mudança cultural necessária para ampliar práticas sustentáveis passa pela educação.
Ela avalia que a conscientização ambiental precisa começar ainda na infância para se tornar um hábito consolidado ao longo da vida.
“Isso precisa ser ensinado nas escolas desde pequeno. Quando a criança cresce com essa consciência, ela leva isso para a vida adulta”.
Mato Grosso do Sul e a meta de carbono neutro
A entrevista também abordou o cenário ambiental em Mato Grosso do Sul, que estabeleceu como meta alcançar a neutralidade de carbono até 2030.
Segundo Veridyana, o objetivo exige articulação entre governo, setor produtivo e municípios.
Ela destacou iniciativas do governo estadual voltadas à transição energética e ao incentivo a práticas sustentáveis no agronegócio e na indústria. “O Estado tem avançado nessa pauta. Há um esforço para trazer novas tecnologias, incentivar práticas sustentáveis e estruturar políticas públicas voltadas à descarbonização”, afirmou.
Nova coluna na Total News
Ao final da entrevista, Veridyana também anunciou que passará a integrar o time de colunistas da Total News, com uma coluna semanal dedicada à sustentabilidade.
A proposta, segundo ela, é aproximar o tema do cotidiano dos leitores, traduzindo conceitos técnicos em linguagem acessível. “A ideia é trazer um conteúdo jurídico e técnico de forma simples, mostrando como as políticas públicas, as empresas e as pessoas podem contribuir para um desenvolvimento mais sustentável”, disse.
Para a especialista, a informação é uma ferramenta fundamental para ampliar a participação da sociedade na construção de soluções ambientais. “Quando as pessoas entendem que pequenas atitudes fazem diferença, elas passam a se enxergar como parte da solução”.
Assista à entrevista completa e saiba mais:




















