Apresentação reuniu cenografia inspirada em Porto Rico, referências à identidade latino-americana, símbolos culturais e mensagens sobre imigração, preservação ambiental e diversidade
A apresentação do cantor porto-riquenho Bad Bunny marcou o show do intervalo do Super Bowl LX, realizado neste domingo (8), com referências à cultura latina, manifestações políticas e elementos simbólicos ligados à identidade de Porto Rico. O artista também citou o Brasil durante a apresentação.
A final da NFL (liga estadunidense de futebol americano), disputada entre New England Patriots e Seattle Seahawks, ocorreu no Levi’s Stadium, em Santa Clara, na Califórnia. Além do confronto esportivo, o espetáculo musical concentrou parte da atenção do público global.
Durante o show, Bad Bunny mencionou países americanos enquanto caminhava pelo palco carregando a bola do jogo. O Brasil foi o sétimo país citado pelo artista. A apresentação foi encerrada com a menção a Porto Rico, acompanhada de fogos de artifício. “Seguimos aqui”, disse o cantor, antes de jogar a bola no chão.
Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, tem 31 anos e nasceu em Vega Baja, em Porto Rico. Um dos principais nomes da música latina contemporânea, o artista venceu recentemente o prêmio de Melhor Álbum Urbano no Grammy Awards com o disco Debí Tirar Más Fotos, produzido inteiramente em espanhol. Ao longo da carreira, ele já conquistou três Grammy Awards e onze Latin Grammy Awards.
Cultura e identidade no palco
No Super Bowl, a apresentação começou com a música “Tití Me Preguntó”. “Qué rico es ser latino”, declarou o cantor antes de iniciar um espetáculo com cenografia inspirada em paisagens tropicais, com palmeiras e folhagens que remetiam a Porto Rico.
Bad Bunny surgiu no palco vestindo branco e carregando uma bola de futebol americano. O artista utilizou o tradicional microfone de fone de ouvido, acessório associado a uma homenagem ao cantor porto-riquenho Chayanne.
Um dos principais elementos do show foi a presença de “La Casita”, réplica de uma casa tradicional porto-riquenha que já faz parte de apresentações do artista. A estrutura apareceu como espaço simbólico de acolhimento e referência às comunidades onde o reggaeton surgiu. Durante o espetáculo, celebridades como Cardi B, Jessica Alba, Karol G, Young Miko e Pedro Pascal foram vistas no local.
O repertório seguiu com “Yo Perreo Sola”, música lançada em 2020 que aborda o combate ao assédio e o direito das mulheres à liberdade nas pistas de dança. O público do Super Bowl acompanhou a mensagem, que já havia viralizado no clipe original da canção.
Outro momento do show ocorreu com a apresentação de “NUEVAYoL”, quando o cantor manifestou apoio a imigrantes e à diáspora porto-riquenha em Nova York. O palco exibiu referências ao discurso “ICE out”, realizado pelo artista no Grammy.
A apresentação contou ainda com a participação especial de Ricky Martin na música “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, que aborda temas como colonização, gentrificação e impactos do turismo.
Entre os símbolos exibidos, a bandeira de Porto Rico com triângulo azul claro foi mostrada como sinal de apoio à independência da ilha. Em outro momento, Bad Bunny ampliou a expressão “Deus abençoe a América”, listando países do continente e exibindo a mensagem “Juntos somos a América”.
O espetáculo também trouxe o Sapo Concho, espécie nativa de Porto Rico ameaçada de extinção, apresentado como símbolo de preservação ambiental e cultural.
Repercussão política
Antes da apresentação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ao jornal The New York Times que não compareceria ao evento. “Acho que é uma péssima escolha. Tudo o que isso faz é semear ódio. Terrível”, disse ao jornal.
Após o show, Trump voltou a criticar a apresentação. O presidente classificou o espetáculo como “uma afronta” e afirmou que “ninguém entende uma palavra” do que o artista disse. “O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, disse Trump. “Este ‘show’ é simplesmente uma ‘afronta’ ao nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias”, afirmou o presidente americano, que assistiu à final em uma festa na Flórida.
Trump também criticou o fato de Bad Bunny cantar em espanhol. “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão assistindo de todos os Estados Unidos e do mundo todo”, disse.
As críticas já eram esperadas, já que o presidente havia classificado anteriormente a escolha do artista como “péssima”, citando o posicionamento político do cantor contra o ICE. Como alternativa ao espetáculo oficial, o grupo conservador Turning Point USA promoveu o “The All-American Halftime Show”, com participação do cantor Kid Rock e outros artistas alinhados ao governo Trump.
*informações: Agência Brasil e CNN
*Imagem: Reprodução ge tv ao vivo




















