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O governo de Mato Grosso do Sul apresentou nesta terça-feira (31) um plano para tentar tirar o futebol estadual de um ciclo de estagnação e recolocá-lo em rota de crescimento. O projeto, estruturado em três pilares: infraestrutura, formação e governança, tem como principal aposta a recuperação do Estádio Morenão, fechado desde 2023 e sem laudos de segurança.

Com investimento previsto de R$ 16,7 milhões, a proposta é viabilizar a reabertura do estádio já no fim deste ano, para iniciar o campeonato sul-mato-grossense em janeiro de 2027, após uma série de intervenções emergenciais. A expectativa é que, ainda em 2026, o espaço volte a receber partidas oficiais, encerrando um período em que o estado ficou sem um palco adequado para competições.

Durante o lançamento, o governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que o objetivo é romper um “ciclo vicioso” que, segundo ele, trava o desenvolvimento do futebol local. “Sem o futebol não tem Morenão, e sem o Morenão não tem futebol. É uma cadeia que a gente vai estruturar”, disse.

A fala resume o diagnóstico apresentado pelo governo: apesar da popularidade do esporte, o setor enfrenta estruturas frágeis, baixa capacidade de investimento dos clubes e ausência de um estádio em condições de uso, um cenário descrito no projeto como um “paradoxo entre paixão e fragilidade” .

Reabertura como prioridade

O Morenão, inaugurado em 1971 e com capacidade para mais de 40 mil pessoas, é tratado como peça central da estratégia. Sem laudo do Corpo de Bombeiros desde 2023, o estádio está interditado e sem uso para grandes eventos.

O plano prevê uma primeira fase imediata, com a transferência da gestão do espaço da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para o Estado, seguida por obras emergenciais voltadas à segurança, acessibilidade e infraestrutura elétrica.

Segundo o secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, a meta é clara. “Restabelecer a segurança e o funcionamento básico para que o Morenão possa receber competições já no ano que vem”.

Entre as intervenções estão adequações em rampas e escadas, instalação de equipamentos de segurança, modernização da rede elétrica e implantação de sistemas de combate a incêndio, exigências para obtenção dos laudos necessários .

A previsão do governo é executar essa etapa em cerca de nove meses, com uma “abertura tática” do estádio até dezembro de 2026, possibilitando a realização de até 30 partidas oficiais .

Concessão à iniciativa privada

Após a reabertura, o projeto prevê uma nova fase até julho de 2028: a concessão do Morenão à iniciativa privada por até 35 anos. Antes disso, será realizado um estudo de viabilidade para definir o modelo de exploração do espaço.

“O primeiro passo é fazer o projeto. Depois, a gente vai ao mercado buscar quem vai investir e administrar”, afirmou Riedel.

A ideia é transformar o estádio em um equipamento multifuncional, capaz de receber não apenas jogos, mas também shows e eventos culturais, estratégia considerada essencial para garantir a sustentabilidade financeira.

Formação e profissionalização

Além da infraestrutura, o plano aposta na base e na gestão dos clubes como caminhos para reestruturar o futebol local. Entre 2022 e 2025, o Estado investiu R$ 9,47 milhões no setor, com crescimento de 158% no período .

Parte desse valor foi destinada à formação de atletas, com apoio a transporte, arbitragem e segurança em competições de base. A proposta agora é ampliar esse modelo.

Outro eixo é a profissionalização dos clubes, com estímulo à adoção de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). A expectativa do governo é que o novo modelo atraia investidores privados e reduza a dependência de recursos públicos.

“O papel do Estado é criar as condições para que o setor se desenvolva com autonomia”, afirmou Marcelo Miranda.

Parceria e simbolismo

A cessão do estádio pela UFMS foi tratada como um marco do projeto. A reitora Camila Ítavo destacou o valor simbólico do Morenão para o estado. “Morenão é um símbolo afetivo para Mato Grosso do Sul. É um espaço de memórias, de encontros e de história”, afirmou.

Já o presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Estevão Petrallas, pediu cautela com prazos imediatos, mas demonstrou otimismo. “Ninguém pode imaginar que amanhã já terá jogo lá. Mas, se cada um fizer a sua parte, é possível”.

Desafio estrutural

O projeto parte de um diagnóstico direto: o futebol sul-mato-grossense ficou para trás enquanto outras áreas do estado avançaram. A ausência de calendário consistente, a fragilidade dos clubes e a falta de infraestrutura adequada são apontadas como gargalos pela FFMS.

A aposta do governo é que a integração desses elementos: estádio, clubes, investidores e torcedores, crie um novo ciclo capaz de reposicionar o estado no cenário esportivo.

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