Com a missão de aproximar o sistema de justiça da realidade das vítimas e da sociedade, Campo Grande recebe no dia 7 de março o 1º Congresso Mulheres que Defendem Mulheres. O evento, realizado pelo CPAA Instituto de Ensino, acontece no auditório da Adepol e nasce com um diferencial único: é formado exclusivamente por profissionais que atuam diariamente no atendimento a mulheres em situação de violência.
Em entrevista, a advogada e diretora do CPAA Instituto de Ensino, Maria Caroline Carlotto, responsável pela organização do congresso, explicou que a iniciativa não surge para substituir instituições ou “preencher lacunas”, mas para fortalecer a rede já existente. “O Congresso não busca preencher lacunas. O Congresso busca somar forças, unir forças para levar informação e lutar contra a desinformação”, afirmou.
Sob o lema “Conhecer ainda é a melhor forma de se defender”, o encontro pretende mostrar, de maneira pedagógica, como funciona o fluxo real de atendimento às vítimas e quais mecanismos garantem proteção. Para Maria Caroline, a informação correta é determinante na defesa das mulheres. “Sem dúvida nenhuma, conhecer é a melhor forma de se defender. A informação correta é uma ferramenta poderosíssima”, destacou.
Ela avalia que, quando advogadas e jovens advogados compreendem o funcionamento do sistema, conseguem orientar melhor suas clientes, ampliando o alcance das informações. Segundo a organizadora, esse processo gera uma espécie de capilarização do conhecimento, já que as próprias mulheres passam a atuar como multiplicadoras. “Essas informações podem salvar muitas vidas. Fortalecendo a advocacia, fortalecendo o sistema e munindo as pessoas de informação, nós podemos quebrar preconceitos. Nós temos que informar e não julgar”, pontuou.
A advogada também destacou que ainda há desinformação sobre o funcionamento da rede de proteção, especialmente em relação ao fluxo de atendimento na Casa da Mulher Brasileira. Segundo ela, o processo segue uma ordem técnica e tem finalidade específica. De acordo com Maria Caroline, a vítima passa por escuta psicológica antes de prestar depoimento à autoridade policial. Nesse momento, é fundamental relatar todos os detalhes. .
Outro ponto que, segundo a organizadora, ainda gera dúvidas é a concessão de medida protetiva. Ela afirmou que o pedido não depende necessariamente do registro de boletim de ocorrência. “Para que ela consiga uma medida protetiva, ela não precisa de um boletim de ocorrência. Basta que informe que esteja se sentindo ameaçada”, disse.
Para a diretora do instituto, ampliar o acesso a esse tipo de informação é uma forma concreta de enfrentamento à violência. Ela reforça que o congresso tem caráter educativo e busca orientar tanto jovens profissionais do Direito quanto a sociedade em geral. “Levando orientação e conhecimento, nós diminuímos as possibilidades de propagação da desinformação”, afirmou.
Ela também ressaltou que a violência contra a mulher vai além da agressão física. “É inadmissível que, nos dias de hoje, as mulheres ainda sejam submetidas a todo tipo de violência, não só física, mas psicológica, patrimonial, intelectual. Somente através da informação essas mulheres poderão analisar a situação que vivem para decidir tentar sair desse ciclo de violência”, concluiu.
Especialistas confirmadas
O congresso contará com nomes que são referência na rede de enfrentamento em Mato Grosso do Sul:
- Dra. Carla Stephanini: Coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, falará sobre os serviços integrados da unidade.
- Me. Márcia Paulino: Psicóloga social, abordará a escuta qualificada e a não revitimização.
- Dra. Fernanda Barros Piovano: Titular da DEAM, tratará de estratégias de proteção e preservação de provas.
- Dra. Taís Soares Vieira Ferretti: Defensora Pública, focará na atuação com perspectiva de gênero.
- Dra. Clarissa Carlotto Torres: Promotora de Justiça, detalhará o funcionamento das Medidas Protetivas de Urgência.
Inscrições e Certificação
Além do conhecimento prático, o evento oferece certificado de 20 horas, sendo uma oportunidade para acadêmicos de Direito e profissionais da área. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas de forma online.
Serviço
- Evento: 1º Congresso Mulheres que Defendem Mulheres
- Data: 07 de março de 2026 (Sábado)
- Horário: Às 8h
- Local: Auditório da ADEPOL (Rua Delegado José Alfredo Hardman, 130 – Parque dos Poderes)
- Diferencial: Certificado de 20 horas
- Inscrições: Clique aqui para acessar o formulário de inscrição




















