Apesar das queixas sobre os preços, a intenção de compra de chocolates na Páscoa segue elevada no Brasil. Levantamento do Instituto Locomotiva mostra que 90% dos consumidores pretendem adquirir produtos relacionados à data em 2026, o equivalente a 148 milhões de pessoas. O índice é quatro pontos percentuais maior do que o registrado em 2025, quando 86% declararam intenção de compra.
A pesquisa indica que 69% dos brasileiros consideram os preços dos ovos de Páscoa injustos em comparação com barras de chocolate de mesmo peso. Ainda assim, o consumo permanece forte.
O levantamento ouviu 1.557 pessoas com 18 anos ou mais, em todo o país, entre 25 de fevereiro e 13 de março.
A intenção de compra é maior entre consumidores de renda mais alta: 95% nas classes AB, 88% na classe C e 80% nas classes DE. Entre pessoas com filhos, o percentual chega a 93%, contra 82% entre quem não tem.
Entre os consumidores que pretendem comprar chocolate, 69% afirmam que vão presentear. Outros 67% dizem que vão adquirir produtos para consumo próprio, enquanto 63% pretendem comprar ovos para si.
Na escolha dos produtos, o preço aparece como principal fator para 61% dos entrevistados, seguido pela qualidade dos ingredientes (53%), tamanho (44%), marca (43%) e variedade de sabores (40%). Também influenciam a decisão a embalagem (29%), brindes e personagens (27%) e opções para dietas específicas, como produtos sem lactose ou veganos (12%).
O estudo aponta ainda preferência por chocolates artesanais: 68% dos consumidores dizem optar por produtos feitos por pequenos produtores.
Segundo o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, embora as marcas tradicionais ainda liderem em volume, os artesanais ganham espaço. “Há uma busca crescente por produtos mais personalizados, com identidade e propósito. Esse movimento não só amplia as opções para o consumidor, como também fortalece o microempreendedor brasileiro”, disse.
Os ovos de Páscoa seguem como principal escolha para presentear crianças, mencionados por 68% dos entrevistados, ante 56% que citam formatos tradicionais. Entre adultos, 66% pretendem presentear com ovos e 63% com outros tipos de chocolate.
Quando o tema é preferência pessoal, há empate: 72% gostariam de ganhar tanto ovos quanto chocolates em formatos tradicionais.
“A pesquisa mostra que o chocolate segue no centro da Páscoa e que o formato ovo não carrega sozinho o consumo na data. Esse significado permanece mais forte quando o presente é para crianças, onde o ritual ainda faz diferença”, afirma Meirelles. “Entre adultos, outros formatos ganham relevância. Em um cenário de preços elevados, o consumidor brasileiro começa a separar o gesto de presentear do produto em si, abrindo espaço para novas formas de consumo”, completa.
Além do consumo, a data também impulsiona a geração de renda. Segundo o levantamento, 22% dos brasileiros pretendem produzir ou vender chocolates na Páscoa, o equivalente a 36 milhões de pessoas. Entre jovens de 18 a 29 anos, o percentual sobe para 29%, e nas classes DE chega a 33%. Em 2025, esse índice era de 19%.
A pesquisa também destaca o aspecto simbólico da data. Para 82% dos entrevistados, a Páscoa é um momento de estar com a família, enquanto 77% participam de almoços ou encontros especiais, sendo 52% apenas com familiares e 42% com familiares e amigos.
Outros 76% veem a data como uma ocasião para presentear pessoas próximas. Além dos chocolates, 54% pretendem comprar alimentos para as refeições, como peixes e sobremesas, 38% bebidas, 32% produtos infantis e 28% itens de decoração.
*Informações e imagem: Agência Brasil




















