Uma operação conjunta realizada nesta quinta-feira (14) apreendeu 1.294 unidades de medicamentos vencidos em uma clínica de emagrecimento localizada na região central de Campo Grande. A ação mobilizou equipes do Procon-MS, Vigilância Sanitária, Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) e Perícia Científica.
A clínica investigada é a Clínica Canela, conhecida por tratamentos voltados ao emagrecimento e estética. A fiscalização começou após denúncia de um laboratório farmacêutico sobre possível publicidade enganosa envolvendo o uso de tirzepatida manipulada, substância utilizada em medicamentos para perda de peso, como o Mounjaro.
Segundo os órgãos envolvidos, a clínica associava protocolos de emagrecimento a medicamentos industrializados patenteados, embora utilizasse versões manipuladas da substância, o que pode ter induzido consumidores ao erro.
Durante a inspeção, fiscais localizaram um depósito nos fundos do estabelecimento onde medicamentos vencidos eram armazenados junto a produtos ainda dentro da validade. Entre os itens apreendidos estavam medicamentos antiarrítmicos vencidos, soros fisiológicos e outros insumos considerados impróprios para consumo.
Uma enfermeira responsável técnica da unidade foi encaminhada à Decon para prestar esclarecimentos e acabou detida durante a ocorrência. Até o momento, as autoridades não divulgaram oficialmente detalhes sobre eventual responsabilização criminal.
As equipes também encontraram outras irregularidades. O CRM-MS apontou falhas no carrinho de emergência da sala de aplicação, prescrição inadequada de terapias hormonais e publicidade considerada irregular por indicar especialidades médicas que não fariam parte da equipe clínica.
Já o Procon informou que o estabelecimento operava com alvará vencido e investiga possível prática de venda casada. Conforme a apuração, pacientes recebiam prescrições médicas e eram direcionados diretamente para laboratórios específicos de manipulação, sem liberdade de escolha.
Em nota oficial divulgada nas redes sociais após a repercussão da operação, a Clínica Canela afirmou que está colaborando integralmente com os órgãos fiscalizadores e negou irregularidades na comercialização de medicamentos.
“A instituição reforça que não fabrica, não manipula, não rotula e não comercializa medicamentos de forma irregular. Sua atuação é exclusivamente médica, com avaliação, acompanhamento e prescrição individualizada”, informou a clínica.
O estabelecimento também negou a prática de venda casada e afirmou que os pacientes possuem liberdade para adquirir os tratamentos prescritos em qualquer farmácia ou laboratório de sua preferência.
Na nota, a clínica declarou ainda que eventuais “apontamentos administrativos ou operacionais” estão sendo apurados internamente e que medidas corretivas já começaram a ser adotadas. A empresa afirmou confiar na investigação e reforçou o compromisso com “ética, segurança dos pacientes, transparência e cumprimento da legislação”.
Apesar das irregularidades encontradas, a clínica não foi interditada e segue funcionando normalmente. Os medicamentos apreendidos foram encaminhados ao depósito da Vigilância Sanitária.
O Procon concedeu prazo de 20 dias para que a clínica apresente defesa oficial sobre as irregularidades apontadas durante a fiscalização.





















