Os Estados Unidos fecharam acordos com 16 países da América Latina para ações conjuntas contra cartéis de drogas e indicaram que podem atuar de forma independente na região, se considerarem necessário, levantando discussões sobre soberania nacional.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, conduziu na quinta-feira (5), em Doral, na Flórida, a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis. Participaram representantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago.
“Os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque sozinhos, se necessário. No entanto, nossa preferência, e o objetivo desta conferência, é que, no interesse deste hemisfério, façamos isso juntos; com vocês, com nossos vizinhos e com nossos aliados”, afirmou Hegseth.
Ele explicou que a coalizão reflete a política do Corolário Trump à Doutrina Monroe, incluída na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, anunciada em dezembro, que reforça a influência americana nas Américas.
Reações de especialistas e governos
O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona, avaliou que a declaração do secretário norte-americano merece atenção. “Ao evocar a Doutrina Monroe, ele propõe limitar a presença de potências extrarregionais nas Américas, o que pode afetar a liberdade de ação das nações latino-americanas”, disse.
México e Brasil reforçaram que o combate aos cartéis deve respeitar a soberania nacional. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, destacou que a cooperação precisa ocorrer “com coordenação e sem subordinação, como iguais”. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, incluiu o tema na agenda de negociações com os EUA.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, apontou que a participação conjunta é mais eficaz. “Os EUA não precisam agir sozinhos para acabar com os cartéis de droga, pois não saberiam como fazê-lo bem. Para destruir os cartéis, precisamos nos unir”, afirmou.
Aproximação de alguns países com Washington
Equador e Paraguai têm ampliado a cooperação com os EUA no combate ao narcotráfico. No Paraguai, o Senado aprovou um acordo que prevê a presença de militares americanos com imunidade penal, sujeito à aprovação da Câmara. No Equador, foram anunciadas operações militares conjuntas, apesar de uma proposta para instalar bases militares estrangeiras ter sido rejeitada em referendo em 2025.
A Conferência foi realizada na sede do Comando Sul dos EUA, responsável pelo monitoramento da América Latina e Caribe, e resultou em declarações conjuntas e acordos bilaterais que, segundo o Ministério da Defesa argentino, “adaptaram o marco jurídico de cada nação, como elemento substancial do que foi acordado”.
*Informações: AGência Brasil
*Imagem; U.S. Southern Command/Divulgação





















