O aiatolá Mojtaba Khamenei, recém-eleito líder supremo do Irã, afirmou nesta quinta-feira (12) que o país continuará retaliando ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos e manterá o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo.
A declaração foi feita em seu primeiro pronunciamento público desde que assumiu o cargo máximo da República Islâmica, após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio no primeiro dia do atual conflito no Oriente Médio.
Na mensagem divulgada pela imprensa estatal iraniana, Mojtaba afirmou que o país não abandonará a busca por represálias contra os responsáveis pelos ataques.
“Não abandonaremos a busca por vingança. Cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo é um sujeito independente no dossiê de retribuição”, afirmou.
O novo líder também disse que o Irã continuará utilizando o bloqueio do Estreito de Ormuz como instrumento estratégico durante o conflito.
“Além disso, a alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada”, declarou.
A região tem importância central para o mercado global de energia. Estima-se que cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo passe pelo estreito, o que torna qualquer interrupção no fluxo um fator de forte impacto nos preços internacionais.
Retaliações e conflito regional
Mojtaba Khamenei também afirmou que o país continuará atacando bases militares ligadas aos adversários no Oriente Médio. Segundo ele, algumas dessas instalações estariam localizadas em países vizinhos que abrigam tropas ou estruturas militares dos Estados Unidos.
De acordo com o líder iraniano, os alvos das operações são exclusivamente essas bases, e não os países que as hospedam.
“Sem atacar esses países, alvejamos exclusivamente essas mesmas bases. De agora em diante, inevitavelmente continuaremos com isso”, afirmou.
O líder também disse que o governo iraniano poderá exigir indenizações pelos prejuízos provocados pela guerra.
“Exigiremos indenização do inimigo e, se eles se recusarem, confiscaremos o máximo de seus bens que considerarmos apropriado”, afirmou.
Apoio a grupos aliados
Durante o pronunciamento, Mojtaba Khamenei reafirmou o apoio do Irã ao chamado Eixo da Resistência, coalizão de grupos armados e organizações políticas aliadas de Teerã no Oriente Médio.
Entre esses grupos estão o Hamas e o Hezbollah, frequentemente citados por Israel e pelos Estados Unidos como parte das tensões regionais.
Segundo o líder iraniano, o apoio a esses movimentos faz parte dos princípios da Revolução Islâmica.
Pressão internacional
As declarações ocorrem um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução pedindo que o Irã suspenda ataques contra países árabes da região. A proposta foi apresentada pelo Bahrein e recebeu abstenções de China e Rússia.
O novo líder iraniano também cobrou posicionamento dos países que abrigam bases militares americanas em seus territórios. Segundo ele, essas instalações teriam sido usadas para lançar ataques contra o Irã.
Mojtaba sugeriu que os governos locais fechem essas bases para evitar novos confrontos.
“A alegação dos Estados Unidos de estabelecer segurança e paz não passava de uma mentira”, afirmou.
Apelo à unidade interna
No pronunciamento, o novo líder supremo também pediu unidade entre os diferentes grupos da sociedade iraniana diante do que classificou como agressão externa.
Ele agradeceu às forças armadas e combatentes do país, que, segundo afirmou, impediram que adversários avançassem sobre o território iraniano.
Mojtaba Khamenei também mencionou perdas pessoais durante os ataques. Além do pai, ele afirmou ter perdido a esposa, uma irmã, um sobrinho e um cunhado nos bombardeios.
Estrutura de poder no Irã
No sistema político iraniano, o líder supremo é a autoridade máxima do país e exerce influência direta sobre as Forças Armadas, além de ter poder sobre decisões estratégicas do Estado.
O cargo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos eleitos por voto popular.
Embora o mandato seja vitalício, a Constituição iraniana prevê que a assembleia pode destituir o líder supremo em determinadas circunstâncias.
Ali Khamenei, que ocupava o posto havia 36 anos, era considerado a principal autoridade política e religiosa da República Islâmica antes de morrer no início do conflito.
Foto: Reprodução/BBC News Brasil
Com informações da Agência Brasil






















