Conferência internacional sobre espécies migratórias será realizada de 23 a 29 de março de 2026, em Campo Grande
A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) será realizada entre os dias 23 e 29 de março de 2026, em Campo Grande, e deve reunir representantes de mais de 130 países. O evento internacional tem como objetivo discutir estratégias de preservação da biodiversidade e impulsionar setores ligados ao turismo, à cultura e à economia sustentável em Mato Grosso do Sul.
Durante reunião com a imprensa realizada nesta segunda-feira (2), o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e presidente da COP15, João Paulo Capobianco, a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, e o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), Jaime Verruck, destacaram que a conferência pode deixar legados ambientais, econômicos e sociais duradouros para o Estado e para o Pantanal.
Entre os principais legados ambientais esperados está o aumento da conscientização da sociedade sobre a importância das espécies migratórias e sobre a necessidade de preservação dos habitats utilizados por esses animais ao longo de suas rotas naturais. A conferência também deve incentivar o desenvolvimento de planos de ação e estratégias de conservação, além de estimular a participação da população e de comunidades tradicionais na proteção da biodiversidade.
Segundo a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, a convenção busca ampliar e fortalecer políticas de conservação já existentes em acordos ambientais internacionais, além de criar instrumentos de cooperação entre países. “Na medida em que se constrói consenso, chegamos a decisões que são colocadas na forma de planos e medidas”, explicou.
Rita também destacou o conceito central que orienta o evento. “O lema escolhido para a COP15 é ‘Conectar a natureza para sustentar a vida’. A proposta reconhece a importância da natureza para manter esses processos ecológicos e garantir a sobrevivência das espécies migratórias”, afirmou.
Outro ponto destacado na organização do evento é a preocupação com a sustentabilidade da própria conferência. A proposta inclui medidas para reduzir impactos ambientais, como gestão adequada de resíduos, incentivo ao uso de materiais sustentáveis, priorização de cadeias alimentares com menor impacto ambiental e ações voltadas à redução da emissão de gases de efeito estufa.
Pantanal deve ganhar visibilidade internacional
A escolha de Campo Grande como sede da COP15 também deve ampliar a projeção internacional do Pantanal, considerado um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo. A expectativa é que a visibilidade gerada pelo evento fortaleça o interesse global pela região, principalmente no setor de turismo sustentável. “Acho que esse é um grande momento de apresentar o Pantanal ao mundo e o Mato Grosso do Sul também, com suas outras riquezas”, destacou Verruck.
O aumento da exposição internacional pode favorecer tanto Mato Grosso do Sul quanto o Mato Grosso, estados que compartilham o bioma pantaneiro, contribuindo para o desenvolvimento de atividades econômicas ligadas ao ecoturismo, à pesquisa científica e à conservação ambiental. “Nós temos certeza de que essa região será muito beneficiada, assim como o estado do Mato Grosso, que também abriga o Pantanal. Essa exposição deve reforçar a relevância biológica, paisagística, cultural e ambiental do bioma no cenário internacional”, afirmou Capobianco.
A organização do evento prevê ainda a criação de roteiros turísticos específicos para os participantes estrangeiros, permitindo que visitantes conheçam destinos como o Pantanal e Bonito antes ou após a conferência. A iniciativa envolve agências de turismo locais e deve estimular a permanência dos visitantes no estado por mais tempo.
Impactos econômicos e valorização cultural
A COP15 também deve movimentar diversos setores da economia regional. A rede hoteleira, restaurantes, transporte e comércio devem registrar aumento na demanda durante o evento. Pequenos empreendedores e produtores locais também devem ser beneficiados.
Uma das ações previstas é a participação da Casa do Artesão dentro da chamada “blue zone”, área oficial da ONU onde ocorrem as negociações e reuniões da conferência. A iniciativa permitirá que visitantes tenham contato direto com a produção artesanal sul-mato-grossense, promovendo a cultura regional e ampliando oportunidades comerciais para artesãos.
Além disso, o evento deve fortalecer a imagem do estado no cenário internacional e estimular novos investimentos ligados à economia sustentável e à valorização dos recursos naturais.
Fortalecimento da conservação das espécies migratórias
Mato Grosso do Sul abriga espécies migratórias relevantes para a conservação global, algumas ainda em processo de inclusão nas listas de proteção da CMS. A realização da COP15 no estado pode acelerar discussões sobre novas medidas de proteção e ampliar a cooperação internacional voltada à preservação dessas espécies.
Durante a coletiva, Capobianco destacou a importância do Pantanal para a manutenção das rotas migratórias. “O Pantanal é uma espécie de ‘hub biológico’, onde espécies passam por aqui, por determinado momento, encontram o ambiente necessário para recuperar energias, se alimentar e, em alguns casos, nidificar, antes de seguir em sua trajetória”, explicou.
A conferência deve reunir governos, pesquisadores, organizações ambientais e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de conservação, criação de corredores ecológicos e combate a ameaças como mudanças climáticas, poluição e perda de habitats.
Considerado o país mais biodiverso do mundo, o Brasil tem papel estratégico na proteção das espécies migratórias, que dependem de seus biomas para alimentação, reprodução e descanso ao longo de suas rotas naturais.
A realização da COP15 em Campo Grande é vista como uma oportunidade para posicionar Mato Grosso do Sul como referência em conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. A expectativa é que o evento fortaleça políticas públicas, estimule o engajamento social e amplie o reconhecimento internacional do Pantanal e das riquezas naturais do estado.



















