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País europeu realizou votação inédita em 40 anos após nenhum candidato alcançar maioria no primeiro turno, em cenário de fragmentação política

António José Seguro, de 63 anos, venceu as eleições presidenciais de Portugal realizadas neste domingo (8), após disputar o segundo turno com o candidato de direita André Ventura. A posse está marcada para 9 de março. Esta foi a primeira vez em quatro décadas que o país realizou uma segunda votação para escolher o chefe de Estado. Nenhum dos 11 candidatos que participaram do primeiro turno, realizado em 18 de janeiro, alcançou mais de 50% dos votos, evidenciando a fragmentação do cenário político português.

Seguro liderou a primeira votação com pouco mais de 31% dos votos. Já Ventura, de 43 anos, obteve 23,5%. O candidato João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, ficou em terceiro lugar, com 16%. A participação eleitoral no primeiro turno foi de 52%, o maior índice em eleições presidenciais em Portugal nos últimos 15 anos.

O pleito presidencial foi a quinta eleição nacional realizada em Portugal desde 2024. O processo eleitoral ocorreu em meio a um cenário de instabilidade política, que levou à convocação de eleições parlamentares antecipadas nos últimos anos.

Além disso, o país enfrentou condições climáticas adversas durante o período eleitoral. Tempestades, chuvas intensas e ventos fortes provocaram inundações e levaram três câmaras municipais no sul e no centro de Portugal a adiar a votação por uma semana. O adiamento afetou cerca de 37 mil eleitores registados, o equivalente a 0,3% do eleitorado.

Disputa reuniu candidatos com propostas distintas

Durante a campanha, Seguro se apresentou como a “opção segura” para comandar o país. Ele defendeu uma esquerda classificada por ele como “moderna e moderada” e destacou a necessidade de mediação política para evitar crises institucionais. Seguro já havia ocupado a liderança do Partido Socialista entre 2011 e 2014 e retornou à disputa política ao anunciar candidatura em junho do ano passado. O Partido Socialista tem histórico de alternância no poder com o Partido Social Democrata, atualmente à frente do governo português.

Ventura, por sua vez, é líder do partido Chega, que se tornou a principal força de oposição no Parlamento português no ano passado. Ex-comentarista esportivo e advogado, ele fundou a legenda há cerca de sete anos. O candidato afirmou que pretendia atuar como um “presidente intervencionista”, com foco no combate à corrupção e na revisão da Constituição para ampliar os poderes do cargo.

Embora a função presidencial em Portugal seja predominantemente cerimonial, o cargo possui atribuições relevantes. Entre elas, estão a possibilidade de dissolver o Parlamento, convocar eleições legislativas antecipadas, vetar leis e, em determinadas situações, destituir o governo.

O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, ocupa o cargo desde 2016 e não pôde concorrer a um terceiro mandato consecutivo, conforme determina a Constituição portuguesa. Durante sua gestão, ele convocou eleições antecipadas em 2021, 2023 e 2025.

A eleição de Seguro ocorre em um momento de desafios políticos e institucionais para Portugal, com o novo presidente assumindo a responsabilidade de atuar como mediador em um cenário marcado por maior divisão partidária.

*Informações: CNN Brasil

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