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Pesquisa nacional indica que mães deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos e que identificação do transtorno tem avançado no país

A maior parte das pessoas responsáveis pelo cuidado de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil é formada por mulheres. O dado faz parte do Mapa do Autismo no Brasil, levantamento inédito com 23.632 respostas de todos os estados, produzido pelo Instituto Autismos.

De acordo com a presidente do Instituto Autismos, a musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf, a predominância feminina no cuidado revela impactos sociais e econômicos. “A maior parte das cuidadoras são mulheres. E grande parte dessas mulheres não estão no mercado de trabalho. Isso fala muito sobre o cuidado”, afirmou.

Apesar das dificuldades, o estudo aponta um avanço: a idade média do diagnóstico tem se aproximado de padrões internacionais, em torno dos 4 anos. “A média da idade do diagnóstico tem sido igual ao dos padrões internacionais: em torno dos 4 anos de idade”, afirma Ana Carolina. Segundo ela, a identificação precoce contribui para melhores resultados no tratamento e no desenvolvimento.

Custos e acesso ao atendimento

O levantamento também revela o impacto financeiro sobre as famílias. Os gastos com terapias ultrapassam R$ 1 mil por mês na maioria dos casos. Para viabilizar o atendimento, muitas recorrem a planos de saúde.

Já nas regiões Norte e Nordeste, o uso do sistema público de saúde é mais frequente em comparação com outras partes do país.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que ampliou a assistência a pessoas com TEA, com investimento de R$ 83 milhões. A pasta anunciou ainda a habilitação de 59 novos serviços, entre Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado.

“Estamos estruturando uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no SUS, desde a identificação precoce na atenção primária até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Além dos desafios, o acesso a direitos tem avançado. Entre eles estão benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e medidas de inclusão em áreas como educação, saúde e lazer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,4 milhões de pessoas são autistas no Brasil. Para especialistas, ampliar a conscientização e o acesso a serviços é fundamental para garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e inclusão social.

*Informações e imagem: Agência Brasil

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