O período de férias escolares, marcado por altas temperaturas e maior circulação de pessoas, concentra um aumento nos casos de doenças infantis. No verão, são mais comuns quadros de diarreia, vômitos, viroses, infecções respiratórias leves, problemas de pele e desidratação, condições associadas ao calor intenso e à quebra da rotina das crianças.
De acordo com o diretor médico da Carnot Laboratórios, Carlos Alberto Reyes Medina, o cenário típico das férias favorece o adoecimento. “As crianças adoecem mais no verão porque ficam mais expostas à desidratação, à contaminação por alimentos e água, além do contato mais próximo com outras crianças em clubes, praias, viagens e colônias de férias. Tudo isso favorece a circulação de vírus, bactérias e parasitas”, afirma.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que as doenças gastrointestinais estão entre as principais causas de adoecimento infantil no mundo, especialmente em períodos de calor. Crianças com menos de cinco anos concentram mais de 40% dos casos globais de diarreia, quadro que pode se agravar rapidamente em razão da perda de líquidos. No Brasil, estudos também indicam aumento das infecções intestinais e de pele durante os meses de verão.
Segundo o especialista, a redução da imunidade infantil nesse período está diretamente ligada às mudanças de hábitos. “Férias significam dormir mais tarde, alimentação diferente, excesso de sol e mudança de ambiente. Isso impacta diretamente o corpo e a defesa natural das crianças”, diz. Ele destaca ainda que o calor acelera a proliferação de microrganismos em alimentos, o que eleva o risco de intoxicações e infecções intestinais.
A hidratação inadequada é outro fator de atenção. “As crianças se desidratam mais rápido, especialmente quando passam horas brincando ao sol. A desidratação enfraquece o sistema imunológico, afetando a capacidade do organismo de combater infecções”, completa.
Entre as doenças mais frequentes no verão estão as gastroenterites virais, bacterianas e parasitárias, infecções de pele, como micoses, brotoejas e impetigo, viroses respiratórias leves e infecções urinárias.
A maioria desses quadros, no entanto, pode ser evitada com medidas preventivas. A orientação é reforçar os cuidados com a alimentação, principalmente durante viagens, manter a hidratação constante e adotar hábitos básicos de higiene. “Mãos limpas, água tratada, frutas bem lavadas e evitar alimentos expostos ao calor são atitudes que reduzem muito o risco de infecções”, afirma o médico.
Pais e responsáveis também devem observar mudanças no comportamento das crianças. Sinais como cansaço excessivo, irritabilidade, recusa alimentar, dor abdominal recorrente, febre ou alteração nas fezes indicam a necessidade de avaliação médica. “Os sintomas nem sempre aparecem de forma intensa. Às vezes o primeiro sinal é justamente a perda de energia ou a falta de apetite”, diz.
Para o especialista, a combinação entre prevenção e atenção aos primeiros sintomas é essencial. “Ao entender como o calor afeta o corpo e ao adotar hábitos simples, os pais conseguem aproveitar o verão com mais segurança e menos sustos. Cuidar da imunidade das crianças nessa época evita interrupções nas férias e, principalmente, complicações mais sérias”, conclui.


















