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O avanço da dengue no Brasil e no mundo acende um novo alerta para medidas de prevenção dentro de casa, onde está a maior parte dos criadouros do mosquito transmissor da doença. Estimativa divulgada pelo projeto internacional IMDC, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e a Fundação Getúlio Vargas, aponta que o país pode registrar até 1,8 milhão de casos de dengue em 2026.

A dengue é uma das doenças transmitidas por mosquitos mais comuns no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, entre 100 milhões e 400 milhões de pessoas podem ser infectadas anualmente. Nos últimos anos, a doença avançou para regiões fora da faixa tropical, incluindo partes da Europa e do Mediterrâneo Oriental.

Para Juliana Damieli, pesquisadora de desenvolvimento de produto e mercado Latam da BASF Soluções para a Agricultura, a expansão da dengue está associada a fatores como mudanças climáticas, aumento das temperaturas, chuvas intensas e fragilidade dos sistemas de saúde.

“A maior parte dos criadouros do Aedes aegypti está no ambiente domiciliar. Por isso, inspeções frequentes e a eliminação de água acumulada são medidas decisivas”, afirma.

Ciclo do mosquito

O mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya passa por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. As três primeiras ocorrem exclusivamente em água. Apenas o mosquito adulto transmite o vírus, e somente as fêmeas picam, pois necessitam de sangue para desenvolver os ovos.

Segundo a pesquisadora, temperaturas elevadas aceleram o ciclo de desenvolvimento do inseto, enquanto alta umidade e períodos chuvosos aumentam a oferta de criadouros. Ela ressalta que os ovos do mosquito podem resistir por meses em ambiente seco e eclodir quando entram novamente em contato com água.

A proximidade do mosquito com residências e áreas urbanas dificulta o controle apenas com ações externas. “Urbanização desordenada e manejo inadequado de resíduos aumentam o risco ao criar microambientes favoráveis”, diz.

Pontos críticos dentro de casa

Entre os locais que costumam passar despercebidos estão ralos pouco utilizados, especialmente em banheiros externos, lavanderias e áreas de serviço. A água acumulada na caixa sifonada pode permitir o desenvolvimento de larvas.

A aplicação semanal de sal nesses ralos pode ajudar a reduzir a sobrevivência das larvas, segundo a especialista. Ela também recomenda atenção a calhas, caixas d’água, tonéis e reservatórios, que devem permanecer vedados.

Plantas como bromélias e bambus podem acumular água, embora tenham menor relevância epidemiológica que criadouros artificiais. Já espécies como citronela, manjericão e lavanda podem atuar como repelentes naturais em ambientes internos, mas não substituem a eliminação da água parada.

Recomendações

Entre as medidas indicadas estão:

  • eliminar qualquer acúmulo de água, mesmo em pequenos recipientes;
  • manter caixas d’água e reservatórios bem fechados;
  • lavar com água e sabão bebedouros de animais e bandejas de refrigeradores;
  • aplicar sal semanalmente em ralos pouco usados;
  • limpar calhas regularmente;
  • armazenar garrafas vazias com a boca voltada para baixo;
  • descartar corretamente materiais que possam acumular água;
  • preencher pratos de plantas com areia até a borda.

A pesquisadora também alerta para o risco de resistência do mosquito aos inseticidas quando há uso repetido dos mesmos princípios ativos.

“O combate à dengue precisa combinar manejo ambiental, educação da população, vigilância entomológica e melhorias estruturais. A soma dessas ações reduz de forma mais sustentável a densidade do vetor e ajuda a prevenir surtos”, afirma.

Vacinação

Como estratégia complementar, a vacinação é considerada ferramenta importante para reduzir casos graves. O imunizante Butantan-DV, desenvolvido pelo Instituto Butantan, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para pessoas de 12 a 59 anos.

Segundo dados divulgados pelo instituto, a vacina apresentou eficácia de cerca de 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações nos estudos clínicos.

Especialistas reforçam, no entanto, que a vacinação não substitui as medidas de controle do mosquito, consideradas essenciais para conter a disseminação da doença.

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