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O uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base de análogos do GLP-1, indicados para diabetes e cada vez mais adotados para perda de peso, acendeu um alerta entre médicos sobre possíveis impactos na eficácia dos anticoncepcionais hormonais, especialmente os administrados por via oral.

Esses fármacos atuam diretamente no sistema digestivo, retardando o esvaziamento gástrico. Com isso, podem alterar a forma como outros medicamentos são absorvidos pelo organismo, incluindo a pílula anticoncepcional.

Segundo a ginecologista Mariane Nadai, parceira da DKT South America, empresa de planejamento familiar, a mudança no funcionamento do trato gastrointestinal pode comprometer a proteção contraceptiva em parte das pacientes. “Quando o esvaziamento do estômago acontece de forma mais lenta, existe a possibilidade de o organismo não absorver o medicamento da mesma maneira, o que pode comprometer a eficácia do método”, explica.

De acordo com a médica, o risco não é igual para todas as mulheres, mas exige atenção e acompanhamento profissional. A absorção inadequada dos hormônios pode reduzir o efeito contraceptivo e aumentar a chance de uma gravidez não planejada.

Além disso, efeitos colaterais comuns associados às canetas emagrecedoras, como náuseas, vômitos e diarreia, também interferem diretamente no uso correto do anticoncepcional oral. Episódios de vômito pouco tempo após a ingestão da pílula ou quadros intestinais intensos podem impedir que o corpo absorva os hormônios necessários para garantir a proteção.

Nesses casos, especialistas orientam que a mulher procure assistência médica para receber instruções específicas, como uso de métodos de barreira temporários ou ajuste do método contraceptivo.

Para quem faz uso contínuo dos medicamentos para emagrecimento, a recomendação é avaliar alternativas que não dependam da absorção pelo sistema digestivo. Entre elas estão o DIU, o implante subdérmico de etonogestrel e outros métodos não orais.

“O mais importante é não interromper nem iniciar nenhum método por conta própria. O diálogo com o ginecologista é fundamental para garantir tanto a eficácia contraceptiva quanto a segurança do tratamento para emagrecimento”, reforça Mariane Nadai.

Com a popularização das canetas emagrecedoras no Brasil, médicos destacam que a informação passa a ser parte essencial do cuidado com a saúde feminina. Entender como medicamentos diferentes interagem entre si é decisivo para escolhas mais seguras e alinhadas ao planejamento reprodutivo.

A orientação é que mulheres que utilizam ou pretendem utilizar esses fármacos comuniquem o médico sobre todos os tratamentos em curso antes de iniciar, trocar ou suspender qualquer método anticoncepcional.

Foto: Freepik

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