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Exame rápido identifica exposição à bactéria em até 15 minutos e reforça diagnóstico precoce da doença, ainda cercada por estigma

A campanha Janeiro Roxo, voltada à conscientização e ao enfrentamento da hanseníase, tem reforçado em Campo Grande o cuidado com pessoas que mantêm contato próximo com pacientes diagnosticados com a doença. Na capital, a rede pública de saúde oferece um teste rápido que identifica se o indivíduo já foi exposto ao agente causador da infecção, ampliando a vigilância e o diagnóstico precoce.

O exame, que apresenta resultado em menos de 15 minutos, está disponível há cerca de três anos no SUS municipal. Nesse período, 93 contactantes de pacientes com hanseníase foram testados, todos com resultado negativo até agora.

Segundo o responsável técnico pela vigilância epidemiológica da hanseníase na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Michael Cabanhas, o teste é aplicado após avaliação clínica. “Primeiro verificamos se há sinais ou sintomas da doença. Quando não existe lesão ou não é possível fechar o diagnóstico apenas pelo exame clínico, o contactante realiza o teste rápido para identificar se já houve contato com a bactéria”, afirma.

Quando o resultado é positivo, o acompanhamento passa a ser contínuo por até cinco anos. O objetivo é detectar precocemente o surgimento de lesões características da hanseníase e iniciar o tratamento o quanto antes, evitando sequelas e a cadeia de transmissão.

Apesar dos avanços, os números ainda preocupam. Somente no último ano, Campo Grande registrou 35 novos casos da doença. Dos 68 pacientes acompanhados no período, a maioria já apresentava múltiplas lesões no momento do diagnóstico, o que indica procura tardia pelos serviços de saúde.

A hanseníase é causada por uma bactéria transmitida pelas vias respiratórias, por meio da fala, tosse ou espirro, mas exige contato íntimo e prolongado para ocorrer o contágio. Morar na mesma casa ou dividir o mesmo ambiente de trabalho por longos períodos com uma pessoa sem tratamento são os principais fatores de risco.

Por isso, pessoas que convivem com pacientes diagnosticados precisam de acompanhamento regular. “Quando surge um novo caso que ainda não está em tratamento, o contactante deve procurar a unidade de referência da região onde mora para investigação”, orienta Cabanhas.

Tratamento pelo SUS

A testagem rápida e o tratamento da hanseníase são ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O início do tratamento interrompe a transmissão da doença em até 24 horas, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele (avermelhadas, acastanhadas ou esbranquiçadas), associadas à perda de sensibilidade, diminuição dos pelos e do suor. Também podem ocorrer perda de força muscular no rosto, mãos e pés, além do aparecimento de nódulos, que em alguns casos são dolorosos.

Em Campo Grande, parte dos pacientes ainda chega aos serviços de saúde quando a doença já provocou danos permanentes. No último ano, dos 68 pacientes em acompanhamento, 54 apresentavam múltiplas lesões, enquanto apenas 14 tinham poucas manchas. Do total, 35 eram casos novos.

O Brasil ocupa atualmente o segundo lugar no mundo em número de registros de hanseníase, atrás apenas da Índia. Apesar de tratável e curável, a doença ainda carrega estigma histórico, o que contribui para o atraso na busca por atendimento.

Com o reforço do Janeiro Roxo e a ampliação da testagem de contactantes, a estratégia da rede municipal é reduzir o diagnóstico tardio e quebrar o ciclo de transmissão da doença na capital.

Com informações e imagem da Prefeitura de Campo Grande

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