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Os fios que se acumulam no ralo do banheiro, na escova ou espalhados pelo travesseiro costumam passar despercebidos no dia a dia. Até que, aos poucos, deixam de ser apenas parte da rotina e começam a chamar atenção. O volume já não é o mesmo, o cabelo parece mais fino, e o espelho passa a refletir uma mudança difícil de ignorar.

Para muitos, esse é o primeiro sinal de um problema que vai além da estética. A queda de cabelo, silenciosa no início, pode avançar de forma progressiva e impactar não apenas a aparência, mas também a autoestima e a saúde.

No Brasil, a alopecia, condição popularmente conhecida como calvície, já afeta cerca de 42 milhões de pessoas e tem apresentado crescimento, especialmente entre os mais jovens. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que a faixa etária entre 20 e 25 anos já representa 25% dos casos, um cenário que acende o alerta para mudanças no perfil da condição.

Na prática clínica, essa mudança já é percebida. Segundo a cofundadora da clínica Sanabria, Kamilla Sanabria, o público atendido tem ficado cada vez mais jovem. “Antes era muito nítido que eram pessoas acima de 45, 50 anos. Hoje isso já está bem equilibrado, a gente vê pacientes bem mais novos procurando atendimento”, afirma.

A percepção é compartilhada pelo dermatologista Marcelo Zanolli, especialista em saúde capilar. Segundo ele, o início da queda tem ocorrido cada vez mais cedo. “Hoje é comum atender pacientes na faixa dos 20 anos e, em alguns casos, até antes”, explica. De acordo com o médico, fatores como predisposição genética, estresse, alterações hormonais, má qualidade do sono e alimentação inadequada ajudam a explicar esse cenário, além de um público mais atento às mudanças no próprio corpo.

Casos crescem entre jovens e mulheres

Tradicionalmente associada ao envelhecimento masculino, a queda capilar hoje atinge públicos cada vez mais diversos. Mulheres já representam cerca de 40% dos pacientes que buscam tratamento, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS).

Estudos publicados nos Anais Brasileiros de Dermatologia indicam que a incidência aumenta com a idade, mas também aparece de forma significativa em mulheres jovens, um reflexo de fatores hormonais, nutricionais e do estilo de vida.

De acordo com Kamilla, as mulheres costumam identificar os primeiros sinais da queda de cabelo com mais rapidez. “As mulheres tendem a procurar ajuda mais cedo. Elas percebem que o cabelo começou a cair mais, que está afinando, e já buscam orientação. Isso faz com que muitos casos sejam tratados ainda no início”, afirma.

Marcelo Zanolli também destaca uma mudança importante nesse perfil. “Hoje vemos um aumento significativo de mulheres buscando avaliação, além de um paciente mais informado e exigente, que procura tratamentos precoces e personalizados”, afirma.

Mais do que estética: um sinal do organismo

A queda de cabelo não deve ser analisada apenas do ponto de vista estético. Em muitos casos, ela funciona como um sinal de que algo no organismo não vai bem.

De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, a alopecia pode estar associada a alterações hormonais, doenças da tireoide, deficiências nutricionais e até condições autoimunes. Fatores como estresse, privação de sono e alimentação inadequada também contribuem para o agravamento do quadro.

Para Zanolli, o cabelo pode ser considerado um verdadeiro indicador da saúde geral. “O cabelo é extremamente sensível às alterações do organismo. Muitas vezes, ele é um dos primeiros sinais de que algo não está em equilíbrio no corpo”, explica.

O impacto que nem sempre é visível

Apesar de nem sempre ser verbalizado, o impacto emocional da queda capilar é significativo. A mudança acontece gradualmente, mas interfere na forma como a pessoa se percebe e se posiciona no dia a dia.

Na prática clínica, essa transformação é perceptível. Segundo Kamilla Sanábria, muitos pacientes chegam sem reconhecer o incômodo, mas demonstram mudanças ao longo do tratamento. “Muitas vezes, o paciente diz que não se incomoda, mas ao acompanhar a evolução, a gente percebe mudança na postura, na forma de se comunicar e até na confiança”, relata.

Ela destaca que o impacto vai além da aparência. “A gente vê pacientes que melhoram no trabalho, nos relacionamentos, na forma como se colocam. A autoestima muda muito ao longo do processo”, completa.

Estilo de vida e saúde influenciam diretamente

Além da predisposição genética, fatores modernos têm contribuído para o aumento dos casos, especialmente entre jovens.

Entre os principais estão:

  • emagrecimento rápido;
  • uso inadequado de hormônios e suplementação;
  • estresse constante;
  • falta de sono;
  • alimentação desequilibrada.

Esses hábitos podem desencadear ou intensificar a queda, o que reforça a relação entre saúde capilar e saúde geral. Além disso, há diferentes tipos de alopecia que podem estar associados. Segundo Zanolli, a mais comum continua sendo a alopecia androgenética, de origem genética e hormonal.

No entanto, outros quadros também aparecem com frequência, como o eflúvio telógeno, geralmente ligado a estresse ou doenças, a alopecia de tração, causada por penteados que puxam os fios, e doenças inflamatórias do couro cabeludo. “Na prática, muitos pacientes apresentam mais de um fator associado”, ressalta.

Quando é hora de procurar ajuda

A perda diária de fios é considerada normal, mas alguns sinais indicam que é preciso buscar avaliação especializada:

  • aumento visível da queda;
  • afinamento dos fios;
  • redução do volume;
  • maior exposição do couro cabeludo.

O diagnóstico correto é essencial para definir o tratamento, que pode variar de abordagens clínicas até procedimentos como o transplante capilar, dependendo da causa.

Zanolli reforça que não é apenas a quantidade de fios que deve ser observada. “Mais do que a queda, o que chama atenção é a mudança na densidade e na qualidade dos fios”, explica.

O diagnóstico, segundo ele, é predominantemente clínico, mas pode envolver tecnologias específicas. “Utilizamos avaliação detalhada, exame do couro cabeludo e ferramentas como a tricoscopia digital, que permite identificar padrões de cada tipo de alopecia. Em alguns casos, também solicitamos exames laboratoriais”, afirma.

Informação confiável faz diferença

Com o aumento do interesse pelo tema, cresce também a circulação de informações sem respaldo técnico. Isso pode levar a diagnósticos equivocados e tratamentos inadequados. “A gente vê muitos pacientes que chegam mal orientados, com informações de pessoas que não são especialistas. Isso pode atrasar o tratamento correto”, alerta Kamilla.

A recomendação é buscar profissionais qualificados e investigar a origem da queda antes de iniciar qualquer procedimento. Mais do que uma questão estética, o cabelo pode ser um reflexo do equilíbrio do organismo, e perceber os sinais precocemente pode fazer toda a diferença.

Para o dermatologista Marcelo Zanolli, a principal orientação é não adiar a avaliação. “Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de controle e reversão do quadro. Evitar automedicação e buscar um especialista faz toda a diferença no resultado”, conclui.

Serviço

A Clínica Sanabria oferece tratamento personalizado de acordo com as necessidades do paciente. Para mais informações o telefone é: 3204-3445 ou (67) 98113-4638 e o Instagram @kamilla.sanabria.

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