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A Semana Mundial do Glaucoma, realizada até este sábado (14), chama a atenção para uma doença ocular silenciosa que pode causar perda permanente da visão. A campanha internacional tem como objetivo ampliar a conscientização sobre o problema e reforçar a importância do diagnóstico precoce para evitar casos de cegueira.

A mobilização é organizada pela Associação Mundial de Glaucoma e, neste ano, ocorre com o tema “Unidos por um Mundo Livre do Glaucoma”. No Brasil, o alerta ganha relevância diante da dimensão do problema: mais de 2,5 milhões de pessoas convivem com a doença, segundo dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma.

O principal desafio, segundo especialistas, é que a maioria dos pacientes desconhece o diagnóstico. Estimativas da entidade indicam que cerca de 70% das pessoas com glaucoma no país não sabem que têm a doença.

De acordo com o oftalmologista Homero Gusmão, especialista em glaucoma e catarata do Instituto de Olhos de Belo Horizonte, o caráter silencioso da doença dificulta a identificação precoce.

“O glaucoma evolui de forma silenciosa. Na maioria das vezes, o paciente não sente dor e não percebe alterações visuais no início. Quando os sintomas aparecem, pode já haver comprometimento importante da visão”, afirma.

Principal causa de cegueira irreversível

O glaucoma é considerado atualmente a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Diferentemente de outras doenças oculares, os danos provocados ao nervo óptico não podem ser revertidos.

Segundo o especialista, a enfermidade provoca lesões progressivas nesse nervo responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. Como a evolução costuma ser lenta, o organismo pode se adaptar às alterações iniciais, fazendo com que o paciente não perceba mudanças no campo de visão.

“Essa adaptação do cérebro faz com que muitas pessoas convivam com a doença por anos sem notar sintomas evidentes. Por isso, as consultas oftalmológicas periódicas são fundamentais, mesmo quando a pessoa acredita que está enxergando normalmente”, explica Gusmão.

Fatores de risco

Entre os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença estão pressão intraocular elevada, histórico familiar, idade avançada e algumas condições sistêmicas.

Pessoas que possuem parentes próximos diagnosticados com glaucoma devem ter atenção redobrada, segundo o oftalmologista. “Quem tem histórico familiar apresenta maior probabilidade de desenvolver a doença e, nesses casos, o acompanhamento regular com um especialista é ainda mais importante”, afirma.

Diagnóstico e tratamento

Na maioria dos casos, o glaucoma é identificado durante consultas oftalmológicas de rotina. O diagnóstico envolve a medição da pressão intraocular, avaliação do nervo óptico e exames específicos capazes de detectar alterações mesmo antes do surgimento de sintomas.

Quando detectado precocemente, o tratamento pode reduzir significativamente o risco de perda visual. As opções terapêuticas variam conforme o estágio da doença e as características de cada paciente.

Em geral, o tratamento inicial é feito com colírios que ajudam a controlar a pressão intraocular. Em situações mais avançadas ou quando não há resposta adequada ao medicamento, podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias.

Embora não tenha cura, a doença pode ser controlada quando acompanhada adequadamente. “O diagnóstico precoce é a principal ferramenta para preservar a visão. Com acompanhamento médico e tratamento adequado, é possível evitar que o glaucoma evolua para cegueira”, afirma o especialista.

Importância da prevenção

A campanha mundial reforça justamente a necessidade de informação e prevenção. Segundo especialistas, muitas pessoas procuram atendimento oftalmológico apenas quando apresentam dificuldades para enxergar, o que pode atrasar o diagnóstico.

“A melhor forma de combater o glaucoma é por meio da informação e do cuidado com a saúde ocular. Consultas periódicas e atenção aos fatores de risco podem fazer toda a diferença para preservar a visão ao longo da vida”, conclui Gusmão.

Foto: Freepik

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