Polícia Federal investiga tentativas de assassinato contra integrantes da etnia Guarani Kaiowá; Ministério Público Federal cobrou esclarecimentos da Prefeitura de Tacuru sobre áudio com ameaça à comunidade
Indígenas da etnia Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul denunciaram casos de violência e ameaças após o resultado das eleições presidenciais, no domingo (25). Entre as ocorrências estão tentativas de assassinato, agressões e uma ameaça de envenenamento da água utilizada pelas comunidades. Os casos são investigados pelas autoridades federais.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas registrados na região desde sábado (24) estão sob investigação.
O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, afirmou que indígenas relataram episódios de intimidação durante o período eleitoral. Segundo ele, caminhonetes circulavam pelos territórios e houve agressões com o objetivo de provocar medo e impedir que integrantes das comunidades fossem votar.
Rempel ressaltou, porém, que a violência contra os Guarani Kaiowá não se limita ao período eleitoral e faz parte de uma realidade recorrente no estado.
“Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse.
A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminharam pedidos ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) para apurar as denúncias.
Entre os casos relatados está o atropelamento proposital de um indígena em Coronel Sapucaia, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai.
Dados da Apib apontam que seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no estado entre 2022 e 2026.
Denúncia de envenenamento da água
Outra ocorrência investigada pelo Ministério Público Federal envolve uma ameaça de envenenar a água consumida por uma comunidade indígena como forma de retaliação ao resultado das eleições presidenciais.
A denúncia surgiu após a divulgação de um áudio atribuído a um funcionário da Prefeitura de Tacuru, município localizado no extremo sul do estado. Na gravação, o homem afirma que indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O áudio contém a seguinte declaração: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.
Segundo Ricardo Terena, coordenador do departamento jurídico da Apib, o acesso à água é uma dificuldade na região, e as comunidades indígenas dependem do abastecimento por caminhões-pipa.
Após a divulgação da gravação, muitos indígenas deixaram de consumir a água por receio de contaminação.
Diante da denúncia, o MPF em Mato Grosso do Sul deu prazo de 24 horas para que a Prefeitura de Tacuru esclareça se o áudio é verdadeiro, identifique o autor das ameaças e informe quais providências estão sendo adotadas.
As investigações buscam esclarecer as circunstâncias das denúncias e identificar os responsáveis pelos episódios de violência e pelas ameaças contra as comunidades indígenas.
*Com informações e imagem: Agência Brasil



















